O PS assumiu, esta terça-feira, que se pronunciou contra a inclusão de matérias referidas sob reserva na proposta de relatório referente aos resultados das audições parlamentares sobre o estado dos serviços de informações em Portugal.

A posição dos socialistas foi transmitida pelo vice-presidente desta bancada Ricardo Rodrigues, depois de a dirigente do Grupo Parlamentar do PSD, Teresa Leal Coelho, em conferência de imprensa, ter indicado que o PS se opôs à inclusão no relatório de um ponto referente a eventuais ligações entre as chefias das secretas e a maçonaria.

Ricardo Rodrigues não especificou se o PS se opôs em concreto a referências à maçonaria no relatório, salientando apenas a posição de fundo dos socialistas em relação a este caso. «A questão foi fazer um relatório sobre audições que são realizadas à porta fechada. Se as audições são feitas à porta fechadas, temos de assumir na plenitude que as pessoas que prestam declarações têm de estar tranquilas e descansadas de que as suas declarações são sob reserva e que não ver publicado num relatório aquilo que disseram sob reserva», alegou o vice-presidente da bancada do PS.

Questionado se o PS colaborou com o PSD na tentativa de celebração de um acordo sobre o teor do relatório, o dirigente da bancada socialista assumiu a realização de reuniões em sede de Comissão de Assuntos Constitucionais. «Mas desconheço o que lá foi ou não posto. Se calhar até existem explicações plausíveis para a existência de alterações [ao relatório] e uma delas até pode ser o entendimento de que aquilo que foi tratado em matéria de serviços de informação se realizou à porta fechada e não deve ficar plasmado no relatório», argumentou.

Confrontado com uma pergunta segundo a qual continua por esclarecer a ligação do líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro à maçonaria, Ricardo Rodrigues respondeu: «Concordo com ele [Luís Montenegro] porque são assuntos da vida privada de cada um. Ele nunca esteve em nenhuma reunião [sobre a situação dos serviços de informações]».

Já sobre os motivos que levaram o PS a não apresentar qualquer proposta de relatório, o dirigente da bancada socialista alegou que havia «uma divergência de fundo» face a outros grupos parlamentares. «Como as declarações proferidas [em comissão] tiveram um caráter privado, o PS sempre entendeu que o relatório deveria ser meramente descritivo e não sobre os factos e as declarações que tinham ocorrido», justificou Ricardo Rodrigues.

Nas declarações que fez aos jornalistas, o vice-presidente da bancada do PS procurou responsabilizar a deputada social-democrata Teresa Leal Coelho por eventuais alterações introduzidas no relatório sobre as secretas e ainda sobre a eventualidade de até existirem dois relatórios distintos sobre a série de audiências realizadas.
Redação / MM