O secretário-geral do PS, António José Seguro, justificou a abstenção do Partido Socialista na votação do orçamento retificativo por a proposta do Governo já conter medidas com as quais discorda.

O Partido Socialista «olhou para o conteúdo das propostas e em função dos nossos compromissos, em particular dos assumidos quando se negociou o memorando com a troika, em coerência, só tinha que ter votado a favor no primeiro retificativo e abster-se hoje, neste segundo, porque já havia medidas com as quais nós tínhamos estado em desacordo», disse.

O secretário-geral do PS falava, em Bragança, numa reunião com militantes e lembrou que já há uns meses, também nesta cidade, tinha dito que «o País não resolveria os seus problemas, se à austeridade que já decorria da aplicação do memorando da troica, nós somássemos mais austeridade».

Reiterou que «o que cria riqueza numa economia é o crescimento económico, são as empresas» e foi por isso que discordou da primeira decisão do Executivo PSD-CDS/PP, o corte de 50 por cento do subsídio de Natal, em 2011:

«Quando o primeiro-ministro tomou como primeira decisão o lançamento do imposto extraordinário sobre o subsídio de Natal exclusivamente sobre os rendimentos do trabalho e das pensões, e da injustiça que isso revela, eu tive a oportunidade de lhe dizer: ¿senhor primeiro-ministro escolheu mal, soma mais austeridade à austeridade que já decorre do memorando da troika¿».

O líder do PS insistiu que «é necessário consolidar as contas públicas, mas não pode ser só à custa de medidas que trazem austeridade». Considera que «o problema não é nacional, mas também europeu» e defendeu que «o importante é dar resposta ao desemprego que grassa na Europa e dar estímulos ao crescimento económico».

O secretário-geral socialista demarcou-se da política do Governo afirmando ter «uma visão distinta» do problema e acrescentando que «também na Europa existe essa diferença, porque a esmagadora maioria dos governos são conservadores, são governos de direita, que acreditam que é preciso que os países empobreçam para, através desse empobrecimento, gerarem ganhos de competitividade com outras regiões» do mundo. «Honestamente, não acredito que esta seja a solução mais adequada», declarou.
Redação / FC