Mário Soares acredita que há uma «luz ao fundo do túnel» para a crise portuguesa e europeia.

O ex-Presidente da República avisa que nenhum líder deverá deixar cair o projecto da União.



Soares quis «sublinhar» a missão de político, «numa altura em que ser político é quase uma vergonha», no seu último livro, que revela que um líder é aquele que «não pede desculpa».

«Não quis salientar que era um memorialista, queria salientar que era um político e fui sempre um político, numa altura em que ser político é quase uma vergonha», contou Mário Soares na apresentação do seu último livro, «Um político assume-se - ensaio autobiográfico político e ideológico», esta quarta-feira, em Lisboa.

«Trabalhei de uma maneira coerente ao serviços dos outros e isso é que é ser político», afirmou Mário Soares, defendendo que esse papel é incompatível com o de «homem de negócios».

Actualmente, apontou o antigo Presidente, «o que conta são os mercados, que governam os Estados e querem destruir os políticos».

Numa sala do Centro Cultural de Belém lotada, Soares agradeceu a presença do secretário-geral do PS, António José Seguro.

«Não votei nele nem no outro [Francisco Assis] por uma razão muito simples, porque achava que os dois eram excelentes e tinham condições perfeitas para uma substituição muito difícil. Por isso mesmo e, como era amigo dos dois, achei que não devia votar em nenhum», disse.
Redação / CP