A licenciatura de José Sócrates voltou a ser o principal assunto no julgamento da Universidade Independente (UnI). Os juízes explicam que mantêm o interesse em interrogar as testemunhas sobre a licenciatura do ex-primeiro-ministro, porque há arguidos a ser julgados por falsificação de documentos académicos.

O professor Eurico Calado, ex-vice-reitor da UnI, garantiu ao tribunal que todos os alunos de inglês técnico eram avaliados por ele, que era o regente da cadeira. Todos menos José Sócrates, que foi avaliado pelo próprio reitor, com base num trabalho enviado com um cartão pessoal: «O trabalho não tem o grau de profundidade que eu exigiria como responsável da cadeira».

Calado afirma que soube da licenciatura de José Sócrates pelas jornais e essa foi a gota de água que o levou a demitir-se. Mas antes questionou o reitor Luiz Arouca: «Então ele fez a cadeira e eu não sei de nada?»

A testemunha declarou que a resposta de Luís Arouca foi simples: «Se tu tivesses sabido, isto não se tinha feito».

O Ministério Público prescindiu de ouvir José Sócrates, mas chamou pela segunda vez a tribunal Eurico Calado, e praticamente só lhe fez perguntas sobre a licenciatura do ex-primeiro-ministro. Os juízes voltaram ao tema. Instados por João Folque, advogado de Frederico Arouca, filho do ex-reitor, explicaram porquê. Ana Peres referiu que há arguidos a ser julgados por «falsificação de diplomas académicos».