O socialista Vieira da Silva tomou posse esta quarta-feira como presidente da comissão que vai «acompanhar» e «fiscalizar» o acordo assinado com a troika, pedindo aos deputados «imaginação» e «trabalho».

Assumindo a «natureza excepcional» desta Comissão Eventual para Acompanhamento das Medidas do Programa de Assistência Financeira a Portugal, o ex-ministro da Economia alertou para a «duração prolongada» das suas funções.

«É um programa extenso, detalhado, exigente, ambicioso e complexo. Faremos a fiscalização e o acompanhamento da execução desse acordo», afirmou.

Com os vice-presidentes Miguel Frasquilho (PSD) e Miguel Tiago (PCP) a seu lado, Vieira da Silva avisou os deputados que esta comissão «exigirá imaginação, capacidade criativa e capacidade de trabalho».

O acompanhamento do acordo assinado por PSD, PS e CDS-PP com a troika, sublinhou, «não se esgotará nesta comissão», lembrando que terá de existir uma «relação intensa» com a comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública.

«Terá de haver um trabalho coordenado, conjunto, para ganhar eficácia, transparência e capacidade de acompanhamento», frisou. No entanto, questionado pelos jornalistas sobre a articulação entre esta e a comissão formada pelo Governo com os mesmos objectivos, o socialista admitiu que ainda não houve «contactos» para iniciar essa cooperação.

A Comissão Eventual para Acompanhamento das Medidas do Programa de Assistência Financeira a Portugal voltará a reunir-se na próxima semana. Até lá, o deputado do Bloco de Esquerda João Semedo pediu que sejam entregues aos deputados as «versões oficiais e finais dos memorandos subscritos pelo anterior Governo» com a troika. «Será um documento fundamental de trabalho», justificou.
Catarina Pereira