A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) mostra-se “nada preocupada” com as ameaças de processos judiciais por parte do juiz Neto de Moura, mas apenas com o facto de alguém legitimar a violência contra mulheres.

Não estou nada preocupada com as ameaças de processos do juiz Neto de Moura. Estamos muito preocupados, sim, com a realidade da violência doméstica em Portugal e com o facto de alguém que de uma forma reiterada legitima a violência contra mulheres e desvaloriza agressões poder continuar a produzir sentenças”, afirmou Catarina Martins.

A bloquista falava aos jornalistas depois de uma visita às oficinas da Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário (EMEF) em Guifões, Matosinhos, distrito do Porto, nesta segunda-feira.

O advogado de Neto de Moura considera que as ofensas ao juiz foram longe de mais e justifica assim a intenção de avançar com várias ações judiciais, onde está incluída também a líder do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, e também a deputada bloquista Mariana Mortágua. Em entrevista à TVI, Ricardo Serrano Vieira explicou as decisões do juiz, sobre violência doméstica, que muita polémica têm gerado.

O BE tem apelado “com todo o respeito pela separação de poderes” que o Conselho Superior da Magistratura atue para que a lei seja respeitada e não hajam sentenças que desvalorizem a violência contra mulheres ou que legitime agressores, referiu.

Catarina Martins vincou que estes tipos de sentenças são “inaceitáveis” num estado de direito.