Angola justificou hoje o adiamento da visita da ministra da Justiça portuguesa ao país, por não haver condições para a mesma se realizar.

O ministro da Justiça e Direitos Humanos de Angola, Rui Mangueira, adiantou isso mesmo aos jornalistas, à margem da aprovação, na generalidade, da proposta de Lei do Código Penal angolano. Disse também esperar que o encontro diplomático possa realizar-se noutra data.

Ontem, o chefe da diplomacia portuguesa, Augusto Santos Silva, garantiu que "não confunde" política externa com poder judicial. Isto pelo facto de o cancelamento da visita, a pedido de Luanda, ter acontecido poucos dias depois de o Ministério Público português ter processado o vice-presidente de Angola, Manuel Vicente, no âmbito de uma investigação de corrupção e branqueamento de capitais.

O cancelamento foi feito na terça-feira, um dia antes da partida prevista de Francisca Van Dunem para Luanda. "A visita da Ministra da Justiça foi adiada, a pedido das autoridades angolanas, aguardando-se o seu reagendamento", lia-se no comunicado do ministério da Justiça português. Nem a tutela nem a própria ministra Francisca Van Dunem esclareceram os motivos.

Recorde-se que o Ministério Público considera que Manuel Vicente terá pago 760 mil euros a um procurador português, para que este arquivasse processos em que era arguido. O atual vice-presidente de Angola estava então na administração da petrolífera Sonangol.

O governante angolano está ainda acusado de um um crime de branqueamento e um crime de falsificação de documento, no âmbito da "Operação Fizz".

Até ao momento, nenhum elemento da cúpula do Governo angolano em Luanda ou do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder) comentou esta acusação. De Luanda surgiram apenas hoje estas declarações de Rui Mangueira, mas apenas a propósito da visita diplomática que não se realizou.