O cabeça de lista do PSD à Câmara Municipal do Porto afirmou esta quarta-feira que o presidente do partido, Rui Rio, deu “liberdade total” e não interferiu no acordo de governação estabelecido com o movimento independente de Rui Moreira.

Foi um acordo negociado a nível local, não teve a interferência inicial do presidente do PSD, como não deve ter”, afirmou aos jornalistas Vladimiro Feliz, à entrada para a tomada de posse do presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, que começou cerca das 18:00.

O social-democrata contou ainda que, quando o acordo assumiu alguma maturidade, informou Rui Rio do mesmo, tendo este dado “liberdade total” para as negociações.

“Disse que era um assunto de cariz local e que confiava em nós. Deu-nos abertura para fechar o acordo”, reforçou.

Dizendo que o acordo beneficia os portuenses, Vladimiro Feliz considerou como natural as críticas por parte da oposição, ressalvando que não há nada que condicione a oposição “construtiva e responsável” do PSD.

Segundo o social-democrata, o acordo foi negociado ao pormenor e visa assegurar a governabilidade da cidade e introduzir medidas do programa do PSD, tal como a construção de uma rede de creches ou redução fiscal.

Rui Moreira foi eleito presidente da Câmara Municipal do Porto pelo movimento independente Rui Moreira: Aqui Há Porto!, que conseguiu 40,72% dos votos, elegendo seis vereadores, não tendo conseguido reeditar a maioria absoluta conquistada nas autárquicas de 2017.

Por seu turno, a oposição elegeu sete mandatos – três do PS, dois do PSD e a CDU e o Bloco de Esquerda um cada, este último eleito pela primeira vez.

Sem maioria absoluta, o movimento do independente Rui Moreira e o PSD estabeleceram um acordo de governação e acordaram medidas para os próximos quatro anos de mandato.

O acordo está dependente da incorporação de medidas contidas no programa social-democrata no Plano e Orçamento da Câmara do Porto para 2022, tais como a redução do Imposto sob o Rendimento Singular (IRS) entre um mínimo de 0,5% e 0,625% na componente municipal.

O PSD não terá representação nos pelouros do executivo, nem nas empresas municipais.

No entanto, na Assembleia Municipal, o PSD irá apresentar Sebastião Feyo de Azevedo, antigo reitor da Universidade do Porto, como candidato a presidente da mesa, contando com o apoio já anunciado do movimento de Rui Moreira.

O Partido Socialista anunciou hoje que vai apresentar o seu cabeça de lista à Assembleia Municipal do Porto, Alberto Martins, como candidato à presidência daquele órgão e como “alternativa política” ao candidato apresentado pelo movimento independente e PSD.

/ AG