O polvo e a sardinha são os peixes preferidos dos portugueses, que comem 57 quilos de pescado por ano per capita, um consumo que obriga a importar dois terços do que chega aos pratos.

No pódio mundial dos consumidores de peixe estão os islandeses e os japoneses. Logo depois surgem os portugueses com uma média anual de 57 quilos por pessoa, mais do que o dobro da média europeia (que se fica pelos 21,5 quilos).

Em Portugal, o polvo, a sardinha, os cantarilhos, o atum, o peixe-espada preto e o bacalhau são os mais consumidos. O carapau, as gambas, o goraz e o cherne são os que se seguem na lista dos 20 peixes preferidos pelos portugueses, que está desde esta terça-feira, Dia Mundial dos Oceanos, disponível no site «Que peixe comer?»

O objectivo da página criada pela Liga para a Protecção da Natureza (LPN) não é listar os predilectos, mas sim dar informações que permitam conhecer a situação das populações de peixes para os portugueses poderem optar por um consumo responsável.

É que apesar de estarem entre os maiores consumidores do mundo, os portugueses parecem esquecer que alguns dos seus «pratos» preferidos podem desaparecer se não se cuidar das espécies.

Se na lista dos 20 mais apreciados existem peixes que não levantam muitos problemas, como é o caso do carapau e da sardinha, existem outros que não deixam de preocupar, como o bacalhau ou o atum.

No site encontram-se «dados simples sobre a biologia da espécie, os métodos como são apanhados e recomendações para fazer um consumo sustentável», explicou à Lusa Constança Belchior, da LPN.

«Esperamos que as pessoas tenham alguma curiosidade em pensar nos peixes que gostariam de comer e, antes de ir ao supermercado ou ao restaurante, possam ir ver alguma informação sobre o seu peixe e a pesca», disse.

Recordando os dados da última publicação da União Europeia (de 2008) que colocam os portugueses como o terceiro povo que mais come peixe a nível mundial, Constança Belchior lamenta que sejam poucos os que se preocupam em fazer um consumo responsável.

«O que se passa no mar está muito longe da nossa vista e achamos que por baixo daquela superfície azul existe um mundo riquíssimo», lembrou, sublinhando que os portugueses já estão a «importar dois terços do pescado para satisfazer as suas necessidades».

Constança Belchior defende que os portugueses deviam comer menos pescado, mas reconhece que esta é uma ideia difícil de pôr em prática: «As pessoas acham estranho quando lhes sugiro isso.»

Anos de pesca intensiva em águas europeias levaram a reduções dramáticas nas populações de peixes. Os números indicam que 80 por cento das populações de peixes avaliadas estão em sobrepesca e mais de 30 por cento estão fora dos limites biológicos de segurança.

Por isso, antes de escolher, é importante saber o que se passa com as espécies. No fim da lista dos 20 mais surgem o linguado, a pescada branca, lulas, lagostim, cavala e choco, robalo, faneca, raias e congro ou safio.
Redação / CP