O secretário-geral da associação, José Horta, afirmou à Agência Financeira que «não me parece que uma análise que foca os preços no final de 2004 esteja muito correcta. Ao longo do ano, que é o que importa analisar, os preços dos combustíveis em Portugal estiveram perfeitamente em linha com a União Europeia».

Embora admita que «nas últimas semanas do ano pode ter havido algum desfasamento e podemos ter estado ligeiramente acima do resto da Europa», garante que «ao longo do ano, acompanhámos absolutamente a tendência europeia».

O estudo da Autoridade da Concorrência conclui ainda que as petrolíferas em Portugal demoram mais tempo que a média europeia a reflectir nos preços dos combustíveis as variações das cotações internacionais das matérias-primas. Em Portugal o hiato é de duas a três semanas, enquanto que no resto da Europa é de uma semana.

Algo com que José Horta também não concorda. «Não me parece que sejam três semanas, mas sim uma ou duas». E explica que essa demora se deve ao facto de «Portugal ter uma localização periférica em relação ao centro das operações do mercado petrolífero europeu, que é entre Amesterdão e Roterdão». É neste centro que os preços de referência se baseiam, e «toda a gente que circula ali à volta e as empresas que têm influência e importância nesse centro, ou as que lhe estão associadas, têm maior facilidade em aceder às operações e reflectem, por isso, mais depressa essas variações de custo», refere o secretário-geral da Apetro.

É que «a forma de reflectir essas variações nos preços usada em Portugal decorre do facto das compras serem feitas com base em cotações internacionais, mas não diárias. Ninguém fora deste centro compra com base nas cotações do dia e sim com base em contratos que reflectem as cotações dos últimos seis, sete ou oito dias», conclui.
Paula Martins