O défice externo português deve ter subido em 2008 para 10,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), mas em 2009 deverá baixar para 9,2 por cento, segundo a actualização do Programa de Estabilidade e Crescimento, escreve a agência Lusa.

Estas novas previsões do PEC, entregue segunda-feira na Assembleia da República, correspondem a revisões em alta, já que o PEC anterior (divulgado em Dezembro de 2007) tinha valores de 5,8 por cento, para 2008, e 5,6 por cento, para 2009, para o défice externo.

O défice da balança comercial continua a ser o grande responsável pelo endividamento português no estrangeiro, já que o saldo entre as vendas e as compras de bens e serviços ao exterior deve baixar 0,2 pontos percentuais em 2009, para 9,2 por cento do PIB.

O sector privado é responsável por 5,3 por cento do PIB desse endividamento externo, enquanto ao sector público cabe 3,9 por cento da riqueza produzida internamente.

As necessidades líquidas de financiamento face ao exterior devem baixar em 2009, a beneficiar da queda de 1,3 por cento das importações, segundo os dados do Executivo.

A «melhoria da balança de rendimentos, associada à evolução esperada para as taxas de juro» também devem ajudar Portugal a reduzir o défice externo, pode ler-se no PEC, já que o saldo da balança de rendimentos e transferência deve baixar de menos 2,8 para menos 1,7 por cento do PIB.

Cavaco preocupado com nível da dívida

Segundo os dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), pelo menos desde 2000 que não há nenhum défice externo tão elevado como o estimado para 2008. No entanto, os dados do FMI podem não ser exactamente comparáveis com os do governo português.

Em Outubro, quando o FMI publicou as suas últimas previsões, a previsão dos seus técnicos era de um défice externo de 12 por cento do PIB para 2008 e de 12,7 por cento em 2009.

No discurso de Ano Novo, o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, mostrou-se preocupado com o nível do défice externo português, uma preocupação que foi acompanhada por vários economistas e empresários portugueses, que sublinharam que o actual contexto de dificuldades de obtenção de crédito pode complicar esse problema da economia portuguesa.

Cavaco Silva afirmou na altura que «há uma verdade que deve ser dita: Portugal gasta em cada ano muito mais do que aquilo que produz. Não pode continuar, durante muito mais tempo, a endividar-se no estrangeiro ao ritmo dos últimos anos».
Redação / MD