Esta é a primeira fase do plano de reestruturação da empresa, elaborado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES), que prevê a criação de um fundo de investimento e participações em uma sociedade de propósito específico para viabilizar a compra de acções da Varig Log (empresa de logística aérea) e da Varig Engenharia e Manutenção (Vem) (empresa de manutenção).

Aprovada foi também a criação de uma conta vinculada para pagar às empresas de arrendamento de aviões. A própria negociação de participações das duas subsidiárias da Varig também foi autorizada. Depois de assinado o contrato, o dinheiro terá de ser depositado o quanto antes, já que, na próxima quarta-feira a Varig usará esta verba para pagar as dívidas acumuladas a empresas norte-americanas de aluguer de aviões. O tribunal de Nova Iorque deu um prazo à empresa brasileira, que termina dia 9, para a transportadora saldar as dívidas a estas empresas de leasing de aviões. Caso falhe o pagamento, a Varig perde 40 aviões, cerca de metade da sua frota.

A escolha da companhia aérea portuguesa TAP como único investidor na fase inicial de reestruturação da Varig não foi votada pela assembleia, mas segundo o presidente do conselho de curadores da Fundação, César Curi, «ficou claro que na apresentação não houve dúvida de que a TAP é a parceira estratégica escolhida pelo conselho de curadores».

Governo português serviu de garantia à TAP e garantiu a vitória

A Varig elegeu, de um grupo de 11, a proposta da TAP para participar da primeira fase do processo de reestruturação. Segundo a empresa, a proposta da estatal aérea portuguesa prevê aportes iniciais de 62 milhões de dólares, sendo dois terços financiados pelo BNDES, a serem depositados em conta vinculada para o pagamento de empresas de leasing no exterior. Além deste investimento, a TAP poderá realizar uma operação de antecipação de recebíveis, cujo valor ainda não foi definido.

A TAP também manifestou interesse em participar da segunda fase do plano de reestruturação da Varig, com investimentos que podem chegar a 500 milhões de dólares (cerca de 400 milhões de euros). A expectativa da Varig é de que o depósito na conta das empresas de leasing deverá ocorrer até o dia 8, véspera da próxima audiência com o juiz Robert Drain, do Tribunal de Falências de Nova Iorque.



Segundo fontes do sector, citadas pelo «Estado de São Paulo», a escolha da TAP deveu-se ao facto de a empresa apresentar como garantia o próprio Governo português.
Redação / PGM