O ministro da Economia e Inovação quer que Portugal fabrique baterias para carros eléctricos. Para tal, nesta segunda-feira, Manuel Pinho assinou uma nota de intenções com a Nissan para que tudo seja feito de forma a que uma fábrica de baterias de iões de lítio comece a trabalhar no país.

O projecto envolverá um investimento de 300 a 400 milhões de euros e criará 300 empregos. Quanto ao local, ainda está a ser estudado, mas de acordo com o Executivo há preferência «pelo litoral e para uma localidade com porto», devido à logística que envolve o projecto.

«Esta será uma das primeiras fábricas do mundo. Para ter sucesso é preciso prepará-lo», disse Manuel Pinho em conferência de imprensa, que decorreu na sede do seu ministério em Lisboa.

Fotos de carros eléctricos

Apesar da decisão definitiva só ser conhecida em Junho, o Governo está a trabalhar neste projecto há ano e meio.

1.300 postos para carregar em 2011

De acordo com Manuel Pinho, resolver o problema da energia passa por melhorar os transportes, até porque «um terço do consumo da energia vem dos transportes».

«Automóveis alimentados por estas baterias são, provavelmente, o modelo do futuro», disse o ministro da Economia. No entanto, lembrou que a assinatura da nota de intenções com a Nissan não quer dizer que o projecto é definitivo: «Há outros locais que querem este investimento. Não posso dar garantias de que virá para Portugal», disse o ministro.

No entanto, reiterou o objectivo de ter até 2011 um total de 1.300 postos para carregar as baterias dos carros eléctricos, num projecto que o Governo conta ter uma grande intervenção e fez saber que os seus parceiros deverão ser a Galp e a REN.

Os modelos mais vendidos (fotos)

Do lado da Nissan, o vice-presidente executivo Carlos Tavares sublinhou aos jornalistas que a concorrência para a instalação da fábrica parte de outros países europeus, sem especificar quais.

Quanto às mais-valias de Portugal, Carlos Tavares sublinhou aos jornalistas «a abertura do Governo em matéria de energia», nomeadamente a aposta nas renováveis. Apesar da crise que atravessa o sector, o responsável sublinhou que este investimento «é extremamente acertado».

«Há que resolver problemas ligados ao ambiente e a dependência em relação ao petróleo», justificou.

Baterias com autonomia para 160 quilómetros

A Aliança Renault Nissan vai comercializar veículos eléctricos em Portugal no início de 2011. Já a unidade fabril que está a ser analisada permitirá a produção de 50 mil baterias por ano.

Caso o projecto avance em Portugal, o país será o segundo, depois do Japão, onde a Nissan investiria numa fábrica em grande escala das suas baterias de iões de lítio.

A empresa, de acordo com Carlos Tavares, pretende ser «líder na produção de baterias de elevados níveis de desempenho, seguras, de elevada fiabilidade e durabilidade, e com custo competitivo».

«A nossa primeira geração de baterias de iões de lítio irá, num conjunto muito compacto, oferecer 160 quilómetros de autonomia de condução do veículo.
Rui Pedro Vieira