As marcas estão preocupadas com os prazos de pagamento por parte da distribuição e acusam as superfícies comerciais de não os cumprirem.

De acordo com a Centromarca-Associação Portuguesa de Empresas de Produtos de Marca, os atrasos nos pagamentos estão a piorar de ano para ano e, em média, estendem-se por 30 dias.

«Um terço da distribuição não cumprem os prazos de pagamento acordados com a indústria. Aquilo que é contratado não é cumprido e um quarto da distribuição estão a pagar pior de ano para ano», disse a directora-geral da Centromarca, Beatriz Imperatori, num encontro com jornalistas.

A Centromarca diz ainda que, de um total de 17 empresas de distribuição, apenas sete possuem um atraso inferior a 20% ao tempo acordado.

Leite, drogaria e higiene pessoal demasiado concentrados

Mas o rol de queixas não se fica por aqui. As marcas continuam a sentir que há condições de «desigualdade» na concorrência que esperam ver resolvidas e Beatriz Imperatori voltou a alertar para «elevada concentração da distribuição».

Entre as áreas que, no entender da Centromarca, são «mais preocupantes em matéria de concentração» estão os leites, a drogaria e a higiene pessoal.

Também preocupada com a redução de players no mercado da distribuição, a associação considera que há «imposição negocial» e uma «diminuição da profundidade das gamas» de produtos.

Isto é, as marcas sentem que a distribuição está com um grande poder dada a sua dimensão no mercado: «Ser retirado de um cliente tem grandes consequências», alerta a directora-geral da associação.

Mercado saturado

As marcas dizem ainda que lhes é exigida «total flexibilidade de logística e serviços» e que, no final, o que se pressente é «um grande desequilíbrio, uma desproporção entre produção e distribuição».

A Centromarca revela ainda que as marcas se sentem discriminadas no direito de acesso à informação sobre os seus produtos, que «é assimétrico», dado que investem, fazem registo de protecção de marcas, mas que isso «pode ser contornado por pequenos artifícios».

Além disso, os próprios planos de expansão da distribuição estão a ser olhados com cepticismo: a abertura de novas lojas, às quais são exigidos contributos aos fornecedores, estão a tornar-se nova dor de cabeça perante a expectativa de retrocesso nas vendas.

«Temos algumas dúvidas de que todas as aberturas anunciadas sejam exequíveis», frisou aos jornalistas Beatriz Imperatori, que sublinhou existir mais 44% de área comercial relativamente a 2004.

APED nega que maioria das empresas se atrasem a pagar
Rui Pedro Vieira