O ex-presidente da Autoridade da Concorrência Abel Mateus afirmou hoje que a causa da crise financeira mundial se deve «essencialmente, a uma falha da regulação», considerando que «não há alternativa senão, uma supervisão muito séria no sistema financeiro», refere a Lusa.

«A minha interpretação é que, essencialmente, [a crise] é uma falha da regulação, regulação a todos os níveis», disse à agência Lusa Abel Mateus, à margem do seminário «Crise Financeira Internacional», em Lisboa.

O ex-presidente da Autoridade da Concorrência denunciou também «a falta de coordenação» a nível mundial para superar a crise dos mercados.

«A própria pressão dos bancos de investimento norte-americanos levou a alterar completamente as regras do jogo e não deixa de ser surpreendente como uma coisa que começou apenas no mercado imobiliário teve esta dimensão extraordinária a nível global», comentou.

Para salvar o sistema financeiro, Abel Mateus indicou «duas vertentes» essenciais para superar a situação actual.

«Uma é a vertente de salvar o sistema financeiro e aí têm-se feito uma série de medidas para procurar manter o sistema financeiro a funcionar mas ainda faltam medidas para sanear esse mesmo sistema aí é onde se deve trabalhar», considerou.

Por outro lado, «há o problema da recessão que ameaça chegar mesmo a uma possível depressão e que tem que ser combatida por medidas da política monetária e na ordem do estímulo fiscal que têm estado a ser empreendidas por alguns países mas que, de facto, ainda não registou uma viragem para recuperar as economias».

Questionado sobre o fim das empresas «off-shore» como uma possível medida que ajude na superação da crise, Abel Mateus disse tratar-se de «um pequeno caso no meio de todo o problema».

«Sobretudo, há que regular todo o capital e, sobretudo, o risco, e não há outra alternativa senão uma supervisão muito séria no sistema financeiro», disse ainda.

Relativamente à supervisão bancária em Portugal, o ex-presidente da Autoridade da Concorrência afirmou apenas que «há falhas, à semelhança das registadas noutros países».