Os CTT não se vão candidatar a uma quarta licença para operador móvel, cujo concurso está a decorrer.

O presidente dos Correios, Estanislau Mata da Costa, assumiu ter ponderado avançar, mas optou por não o fazer por motivos estratégicos.

«Não vamos ao quarto operador móvel», sublinhou Mata da Costa, durante a apresentação dos resultados da empresa, esta quarta-feira. A empresa refere ainda que está pronta para novos operadores móveis virtuais e estranha inclusivamente o atraso da Zon, que já disse que vai avançar a partir de uma parceria com a Vodafone ainda este ano. Apesar disso, refere que a dona da TV Cabo deverá apostar numa lógica de quadruple-play o que, mais uma vez, a coloca mais próxima da TMN, Vodafone e Optimus, do que da oferta do Phone-ix.

Uma opinião diferente têm os trabalhadores dos Correios que consideram que o lançamento do operador virtual Phone-ix, lançado pela empresa em Novembro de 2007, é um projecto muito aquém do seu potencial. E os motivos são, essencialmente, por questões concorrenciais.

«Os CTT não podem querer tornar-se um grande operador de telemóveis só porque têm uma rede de balcões em todo o País. É um projecto falhado, porque os concorrentes têm outra estrutura e podem praticar sempre tarifários mais baixos», disse à Agência Financeira o secretário-geral do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT), Vítor Narciso.

Para este responsável, o Phone-ix «não dará prejuízos», mas não resulta por estar alojado a outra rede (a TMN, o que o define como um operador móvel virtual). No fundo, o porta-voz dos trabalhadores considera que as vantagens a retirar deste negócio «seriam muito superiores» se os CTT procurassem operar como um quarto operador móvel.

«Neste contexto, os CTT não estão vocacionados para uma rede móvel», sintetizou à AF Vítor Narciso.

Presidente reconhece que CTT «estão em outra divisão»

Durante a apresentação dos resultados semestrais dos Correios, o presidente Estanislau Mata da Costa disse ainda aos jornalistas que o projecto «se encontra acima dos objectivos estimados», mas queixou-se igualmente da concorrência «muito agressiva» dos outros operadores.

«Tivemos uma grande dificuldade nos meses de Verão. Os grandes operadores lançaram campanhas muitíssimo agressivas e convém não esquecer que por cada 100 portugueses existem 140 telemóveis», referiu. Algo que leva o responsável a reconhecer que a essência do Phone-ix é «ser um complemento à oferta dos Correios» e que o produto «é inovador, mas joga em outra divisão».

Recorde-se que, no final de Maio, a empresa anunciou ter alcançado os 100 mil clientes nos primeiros seis meses de existência, uma meta que estava fixada para o primeiro ano de actividade.

«Foi simpática a nossa entrada no mercado.Vamos continuar a apostar numa oferta simples, sem grandes complicações de tarifários», sustentou o presidente dos Correios.

Para os próximos tempos, a empresa não descarta a vontade em incorporar na oferta telefónica serviços de valor acrescentado, nomeadamente ao nível da informação.
Rui Pedro Vieira