A Qimonda mantém «conversações concretas com numerosos interessados» na aquisição da empresa, a preparar venda de activos, e não exclui despedimentos, anunciou esta segunda-feira a administração da empresa.

A venda de activos destina-se «a obter liquidez para prosseguir os negócios nucleares» da Qimonda além de 31 de Março, data que o gestor judicial, Michael Jaffé, já tinha indicado como limite para prosseguir a laboração sem encontrar novos investidores, depois da declaração de falência, há um mês, avança a Lusa.

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Mesmo que haja interessados em adquirir a Qimonda «não são de excluir novas medidas de reestruturação e despedimentos».

Transferência dos trabalhadores para sociedades

Assim, esta semana haverá conversações com as comissões de trabalhadores da Qimonda em Dresden, onde se situa a principal fábrica, e em Munique, na sede da Qimonda, foi ainda anunciado.

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As conversações destinam-se a falar de «regras para a passagem dos trabalhadores» para eventuais sociedades que resultem da reestruturação e «a discutir o apoio a conceder aos trabalhadores afectados», diz ainda a empresa.

No documento, os responsáveis da empresa referem ainda que estão em «negociações permanentes» com as instâncias políticas da Baviera, da Saxónia, com o governo federal alemão, com o governo português e com a União Europeia, e sublinham a importância da Qimonda como pólo tecnológico europeu.

Os governos em questão «manifestaram disponibilidade para participar eventualmente no financiamento, se a Qimonda encontrar um novo investidor para a nova empresa».

Empresa tem futuro

«O nosso plano de negócios demonstra que a Qimonda tem futuro, e a sua posição de liderança no sector da tecnologia DDR 3 foi recentemente confirmada pela Intel», afirmou o presidente executivo da Qimonda, Kin Wah Loh.

A administração da Qimonda garante que «ainda não foram tomadas decisões definitivas» sobre se os sectores que puderem ser mantidos serão mantidos pela Qimonda ou se transitarão para uma nova sociedade.

Neste último caso, «ou se não for possível encontrar investidores para prosseguir com a Qimonda, a empresa será previsivelmente liquidada».

A Qimonda emprega 12 mil trabalhadores a nível mundial, cerca de 1.700 dos quais em Vila do Conde, onde é ultimada a produção de chips que tem início na fábrica-mãe, em Dresden.

Plano de financiamento da empresa apresentado em finais de Dezembro, no valor de 325 milhões de Euros, foi considerado insuficiente, um mês depois, para fazer face aos compromissos da Qimonda, devido ao agravamento das condições do mercado de semi-condutores, dominado por fabricantes asiáticos.

O governo português tinha-se comprometido a contribuir para o referido plano de financiamento com 100 milhões de euros, através de um empréstimo de um grupo bancário liderado pela Caixa geral de Depósitos.
Redação / SPP