O presidente da CIP defende que a questão da energia nuclear tem de ser discutida «antes das eleições» legislativas no Outuno, já que nos próximos quatro ano o assunto é incontornável em Portugal e na Europa.

«Nós estamos a tomar cuidado para que isto não tenha um efeito político, mas não há dúvida que temos de falar sobre isto antes das eleições. A esperança é que alguns partidos caiam em si e saibam que não podem ignorar, que isto tem de ser discutido», disse à agência Lusa Francisco van Zeller.

«Estou a falar dos partidos que possam eventualmente ter o poder: PS, PSD e talvez o CDS-PP. Os que têm alguma esperança de vir a ter poder não podem ignorar e têm que pôr na agenda», concretizou o presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP).

A CIP, a Associação Empresarial de Portugal (AEP) e a Ordem dos Engenheiros querem relançar o debate sobre as energias alternativas, incluindo a nuclear, numa conferência que vão organizar a 3 de Março, em Lisboa.

Países estão a reequacionar posições

Apesar de a energia nuclear ser apenas mais um dos temas da conferência, Francisco van Zeller considera-o um tema essencial.

«Não se pode falar de energia sem abordar a energia nuclear, sobretudo quando lá fora, na Suécia, Alemanha e Inglaterra, estão todos a reequacionar e reavaliar as posições que tinham em relação ao nuclear», disse.

O Governo tem mantido o nuclear fora da agenda, preferindo dar prioridade às energias renováveis e à eficiência energética.

«O PS e o Governo, o que têm dito é que não se discute se não está na agenda. De facto não está. No que diz respeito à parte eleitoral, quando chegar às eleições alguém, ou mesmo eles por iniciativa própria, terá de levantar o assunto», afirmou o responsável da CIP.

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«É impossível que nos próximos quatro anos não se venha a pôr a questão. Toda a Europa está a falar disso, a própria Comissão Europeia. O melhor que [os partidos] têm a fazer é pôr na agenda. Podem fazê-lo de forma cuidadosa, discutir a questão, abrir o dossier para ser discutido. Não é preciso mais nada», considerou.

As entidades que agora promovem a conferência sobre energias alternativas assinaram em Julho último, com a Associação Industrial Portuguesa (AIP), um documento em que consideravam «urgente» o relançamento do debate sobre a produção de energia nuclear em Portugal.

Para estas associações, a coordenação entre Portugal e Espanha na produção de energia nuclear, era considerada na altura «uma opção interessante que deverá ser analisada e avaliada».

«Nós, se calhar, não o podemos fazer sozinhos. É a minha opinião pessoal. Provavelmente temos de o fazer a meias com os espanhóis, se calhar em território espanhol», com «gestão e custos partilhados», admitiu o presidente da CIP.

A energia nuclear, explicou van Zeller, tem uma função semelhante ao carvão: que é a de ser uma energia de base, que «representa 30 a 40 por cento da energia dos países todos, está sempre ali a produzir dia e noite, sem parar nunca».

«É uma energia mais barata, mas não é flexível: não se pode acender e apagar», em contraponto com a energia produzida nas barragens, com o vento, ou as centrais de ciclo combinado (combinação de um ciclo de turbina a gás natural, com um ciclo a vapor), disse o presidente da CIP.
Redação / RPV