O Banco Comercial Português (BCP) tem sido o destaque na bolsa nacional desde o início do ano. Em apenas cinco sessões, o maior banco privado português registou uma valorização de 8%, sustentada por um forte volume. Ao longo da primeira semana de 2005 negociou 78,53 milhões de acções.

Este comportamento do maior banco privado português em bolsa é explicado pelos operadores pela «entrada de estrangeiros e nacionais há algum tempo», nomeadamente, «casas de investimento». Algo que não surpreende os operadores, pois o BCP encontra-se entre as cotadas privilegiadas na bolsa nacional para investir.

O BCP atingiu a barreira dos dois euros. «Um preço que já se estava à espera», referiu um operador, acrescentando que é possível «haver uma correcção». Esta subida de 8% foi «rápida e curta, resta saber se se aguenta nos 2,02 euros para se consolidar», sublinhou o mesmo.

De facto, esta valorização do título do BCP pode ser uma antecipação aos resultados de 2004, bem como a reestruturação que o banco está a efectuar com vista a se concentrar no seu core business e melhorar o rácio de capital. «A venda de algumas posições e a melhoria do rácio são factores impulsionadores, mas existe alguma cautela quanto à correcção», revelou ainda.

Em termos de análise técnica, o título do BCP está a proceder ao preenchimento de um «gap (espaço em branco entre dois preços) entre os 2,02 e os 2,04 euros, que existe há vários meses», referiu Filipe Garcia, analista da Informação de Mercados Financeiros (IMF). «Depois de ter quebrado a barreira dos 1,90 euros, abriu espaço para subir até aos dois euros». Agora, o analista prevê que as acções do BCP possam chegar até aos 2,08 ou 2,10 euros, ainda que admita que «seja difícil chegar a este valor», pelo menos a curto prazo.

O movimento ascendente que se verifica no BCP acompanha a valorização que se verifica no PSI20. Desde o inicio do ano que o principal índice nacional já valorizou 2,5%, em grande medida impulsionado pelo BCP, um dos títulos de relevo na praça nacional.
Sandra Pedro