«Mário Soares deveria ser um encorajador da renovação da vida política, eu disse-lhe isso várias vezes. Ele tinha a obrigação, sendo um republicano, de o fazer. Mas acho que nunca fez nada nesse sentido», declarou Manuel Alegre, em entrevista à TVI.

«O dr. Mário Soares gosta de estar sempre lá», acrescentou o dirigente do PS, numa entrevista em directo no Jornal Nacional daquela estação televisiva, conduzida pela jornalista Constança Cunha e Sá, que durou cerca de 45 minutos.

Manuel Alegre considerou que todos, incluindo os socialistas que não se quiseram candidatar às presidenciais de 2006, têm responsabilidades pela ausência de renovação da classe política, mas que Mário Soares é particularmente responsável.

A entrevista centrou-se nas suas relações com Mário Soares e o PS e na sua decisão de se candidatar a Belém, tendo Manuel Alegre assegurado que o ex-Presidente da República e fundador do partido não é o seu adversário.

No entanto, em seguida, Alegre disse que «não é um crime de lesa-majestade uma pessoa ousar candidatar-se e derrotar o dr. Mário Soares», ao sustentar que veio «estragar a festa» de quem pretendia que estas presidenciais fossem um frente-a-frente entre Soares e Cavaco Silva.
Redação / AM