Os almíscares de síntese são uma das substâncias químicas que podem ter efeitos nefastos na saúde e que a associação ecologista Greenpeace identificou em vários dos 36 perfumes que analisou.

Trata-se de compostos aromáticos que, normalmente, são utilizados no lugar dos almíscares naturais e que, no caso do perfume «White Musk» (Body Shop), representava 9,4% da sua composição (a maior quantidade entre os perfumes analisados).

A Body Shop, que se apresenta como uma empresa que protege o planeta e se orgulha de, por exemplo, não testar os seus produtos em animais, garante que «leva muito a sério o uso de químicos nos produtos que vende e a sua segurança».

«Todos os ingredientes que usamos estão conforme as normas de saúde e segurança, todas as fórmulas desenvolvidas pela Body Shop estão conforme a Directiva Europeia sobre Cosméticos e todas as fórmulas dos produtos desenvolvidas pela empresa são sujeitas a cuidadosas avaliações por parte de empresas independentes», lê-se num, comunicado.

No relatório do Greenpeace, a maior presença de almíscares de síntese foi identificada no perfume «White Musk», da Body Shop (9,4%).

Em comunicado, a Body Shop garante que o uso de almíscares policíclicos nos produtos de cosmética é considerado «seguro pela indústria e entidades reguladoras».

No entanto, a Body Shop esclarece que, «nos últimos anos, a pressão de grupos ambientais levantou suspeitas sobre o seu alegado impacto», tendo a empresa decidido, «a título de precaução, evitar o uso desses componentes na concepção dos seus produtos».

«Os produtos que contêm, actualmente, nitroalmíscares ou almiscares policíclicos estão a ser reformulados», prossegue a Body Shop.

A empresa está a «acabar com a utilização de almíscares policíclicos» nos seus produtos que estão a ficar «descontínuos como parte do ciclo natural do desenvolvimento do produto».

A Body Shop reconhece que, apesar desta decisão de acabar com a utilização deste produto, «poderá ainda existir algum stock que contenha este almíscar artificial nas lojas durante algum tempo», mas garante que vai «estabelecer uma data para que estes produtos acabem de vez».

Relativamente aos ftalatos - que foram encontrados em 35 dos 36 perfumes analisados pela Greenpeace, a Body Shop afirma que a empresa os baniu em todas as suas novas fragrâncias «há mais de três anos».

O «White Musk», tal como vários perfumes em que o Greenpeace identificou as substâncias prejudiciais à saúde, está à venda em Portugal.

A Associação dos Industriais de Cosmética, Perfumaria e Higiene Corporal (AIC) garantiu hoje que «os perfumes e cosméticos comercializados no nosso país respeitam todas as normas de segurança e são inteiramente seguros para a saúde dos consumidores».

O relatório do Greenpeace baseia-se na análise efectuada por um laboratório holandês em 36 perfumes famosos.
Redação / Lusa/AM