Segundo o presidente da Associação Portuguesa das Empresas de Mediação Imobiliária (APEMI), José Eduardo Macedo, em declarações à «Agência Financeira», estes casos «representam cerca de um quarto do total».

«Normalmente, as motivações para se comprar uma casa nova são o nascimento de filhos, que implica a necessidade de uma casa maior, ou o aumento de rendimento, que está associado a uma melhoria das condições de vida, à mudança para uma casa maior, com melhores condições, numa zona melhor da cidade», explica. Mas, nos últimos tempos, surgiu uma nova realidade, que tem cada vez mais expressão: a necessidade de pagar uma prestação menor no crédito à habitação.

As razões são sobejamente conhecidas: muita gente comprou casa no final dos anos 90 e início desta década, devido aos níveis historicamente baixos das taxas de juro, muitos portugueses compraram casas caras para os seus rendimentos e endividaram-se mais do que deviam. Depois, com a subida gradual do preço do dinheiro, as prestações dos créditos à habitação (e as outras também) foram aumentando e, como os últimos anos foram de crise, os salários nem sempre acompanharam o aumento da despesa. Resultado: muitas famílias já não conseguem pagar as mensalidades.

«Muitas famílias estão à procura de casas mais pequenas, passam de um T3 para um T2, por exemplo, para tentarem resolver os seus problemas financeiros», diz o responsável.

«Quando as agências medeiam a compra de uma casa, a sua relação com os clientes não se esgota aí, a ligação mantém-se. E quando esses clientes aparecem a dizer que não estão a conseguir pagar as prestações, as agências tentam ajudar e aconselhar os clientes, nomeadamente a negociar com os bancos condições melhores, como spreads mais baixos e prazos mais alargados. Existe também uma opção que é cada vez mais frequente, que passa por deixar uma parte do crédito para pagar no final do prazo», refere José Eduardo Macedo.

Contas feitas, o sector da mediação imobiliária não tem tido razões de queixa, apesar da crise. O presidente da APEMI admite que «são conseguidas menos transacções», mas também adianta que «as operações que se fazem têm valores maiores».

E explica que «a crise tem outra vertente: quando as casas são mais difíceis de vender, procura-se mais a ajuda de profissionais, as pessoas não conseguem vender as casas sozinhas».
Paula Martins