Mais consensual foi o acolhimento de duas outras propostas para que o nome do poeta Eugénio de Andrade figure também na toponímia da cidade, segundo afirmou o vereador comunista Rui Sá no final da reunião do executivo à «TSF».

As reticências do PSD e do CDS-PP, que governa a câmara com maioria relativa, à atribuição dos nomes de Álvaro Cunhal e Vasco Gonçalves a ruas do Porto foram justificadas pela tradição de associar à toponímia apenas figuras com «vínculo forte» à cidade, como é o caso de Eugénio de Andrade, referiu Rui Sá à mesma rádio.

Nem o PSD nem o CDS-PP disponibilizaram qualquer vereador para prestar esclarecimentos, em tempo útil, sobre este assunto.

No caso do general Vasco Gonçalves, ex-primeiro-ministro durante o Verão Quente de 1975, a proposta registou votos favoráveis do vereador proponente (CDU) e dos seis eleitos socialistas, contando com votos contra dos seis vereadores da coligação PSD/CDS-PP, avança a mesma rádio.

Já a proposta relativa ao líder histórico do PCP, Álvaro Cunhal, que morreu na madrugada de segunda-feira, registou oito votos favoráveis (da CDU, PS e um vereador do PSD), uma abstenção (PSD) e quatro votos contra (dois do PSD e dois do CDS-PP).

Foram apresentados também votos de pesar pelas três mortes, aprovados por unanimidade nos casos de Álvaro Cunhal e Eugénio de Andrade e com a abstenção do vereador social-democrata Paulo Morais no caso de Vasco Gonçalves.

O general e ex-primeiro-ministro em 1975, recorde-se, foi um dos convidados num ciclo de conferências sobre os 30 anos do 25 de Abril, promovido pela Câmara do Porto.