O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, apelou terça- feira a «pelo menos uma pausa» no processo de rectificação da Constituição Europeia, afim de evitar uma multiplicação das rejeições, noticia a agência «Lusa».

Após o «não» da França e da Holanda nos referendos ao Tratado Constitucional Europeu, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Diogo Freitas do Amaral, defendeu, a título pessoal, a criação de um novo tratado como forma de preservar a imagem da União Europeia.

«Como membro do Conselho da Europa, a minha inclinação pessoal seria concluir que este tratado não é viável e que devíamos começar a trabalhar noutro», disse Freitas do Amaral há cerca de uma semana.

«Cinco, seis, sete ou oito «nãos» prejudicam muito mais a imagem da UE do que dizer-se `Este tratado não funciona, vamos fazer outro'», afirmou então, sublinhando tratar-se de uma «opinião pessoal», que não corresponde à «posição oficial do governo português.»

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros lembrou hoje a «polémica» que estas declarações suscitaram na altura.

Francisco Louçã, dirigente do Bloco de Esquerda, disse hoje à Lusa que a sugestão de «adiar é um truque de linguagem para não se fazer um referendo.»

O bloquista considera que o «fracasso» do processo da Constituição Europeia tem a ver com a «falta de dimensão dos dirigentes políticos» e diz aguardar pela decisão do Governo, que só deverá ser tomada após uma resolução do Conselho Europeu.

Também o deputado socialista Guilherme Oliveira Martins partilha da mesma posição.

«Neste momento temos de aguardar pelo Conselho Europeu, uma vez que posições individuais não são positivas. É indispensável, por isso, haver uma reflexão séria», disse à Lusa, acrescentando a necessidade de um «maior esforço de coesão de modo a responder à crise económica.»