Para 2005, a expectativa mantém-se num crescimento de 2,2%. Já para 2006, o crescimento deverá ser de 2,4%.

Bruxelas está, assim, mais optimista que o próprio Governo português, que espera, segundo o Orçamento do Estado para o ano que vem, um crescimento de apenas 1% para este ano. Recorde-se que no ano passado, a economia nacional contraiu 1,2%.

Segundo a Comissão, Portugal deverá, afinal, começar já a convergir com a União Europeia em 2005, ao contrário do que se previa até aqui.

A Comissão espera que Portugal respeite o limite de défice público imposto pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) este ano, com 2,9%, conforme prometera o Governo. Isto significa que a Comissão deverá aceitar as medidas e receitas extraordinárias propostas pelo Governo português. Já para 2005, Bruxelas aponta para um défice de 3,7% e para 3,8% em 2006.

A dívida pública, que o ministro das Finanças, António Bagão Félix, admitiu já estar acima dos 60% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, a Comissão aponta para os 60,8% este ano, 62% no ano que vem e 62,9% em 2006. Mas Bruxelas considera que Portugal violou já o limite do PEC no que se refere a dívida pública no ano passado, ao registar uma dívida de 60,3%, quando o tecto era de 60%.

A impulsionar esta revisão em alta das perspectivas para Portugal está o melhor comportamento esperado agora no consumo privado, no consumo público e também no investimento, que chegará para ultrapassar a revisão em baixa da contribuição das exportações líquidas (exportações menos importações) para o Produto Interno Bruto (PIB). É que o contributo da procura externa, deverá ser negativo em 0,6%, e não positivo em 0,2%, como se previa antes.

Segundo Bruxelas, o consumo privado crescerá 2,1% este ano, 1,8% em 2005 e 2% em 2006, enquanto o consumo público deverá avançar 0,6% em 2004, 0,5% no ano que vem e 0,4% no ano seguinte.

A Formação Bruta de Capital Fixo deverá avançar 2,4% este ano, depois 3,3% em 2005 e 4,8% no ano que se seguirá.



Para 2005, as exportações líquidas foram também revistas em baixa, para um crescimento de apenas 0,1%. Isto porque as exportações aumentarão 7,9% e as importações 7,8%. Para 2005 e 2006 aponta-se para um aumento de 7% em cada ano, nas exportações, e para aumentos de 5,5% e 6,1%, respectivamente, nas importações.

No que se refere à inflação, deverá ser de 2,4% em 2004 e 2005, segundo a Comissão, desacelerando apenas para 2,3% em 2006.

Mais pessimista que o Governo, a Comissão espera que a taxa de emprego se situe em 0,4% este ano, avançando 1% no ano que vem e 1,2% no ano seguinte. Assim sendo, a taxa de desemprego deverá ficar em 6,3% este ano, 6,2% em 2005 e 6,1% em 2006.