O presidente do Millennium bcp adiantou que ainda não está definido se a alienação das seguradoras à estatal Caixa Geral de Negócios (CGD) terá impacto nos resultados do maior grupo bancário privado português em 2004 ou 2005.

Frisou que o Millennium bcp já consultou o Banco de Portugal (BP) sobre o tratamento a dar em termos contabilísticos ao resultado, adiantando: «faremos aquilo que fôr estabelecido (pelo BP) (...) estamos sujeitos a consulta ao BP».

O Diário Económico referia hoje que Fortis vai pagar mais 10 ME do que estava inicialmente previsto pela aquisição do controlo da actividade de «bancassurance».

«O negócio está estabelecido (da venda de seguradoras da SeP à Fortis). Um pct, é um pct (...) 50% mais um pct, é 51%», disse Jardim Gonçalves, referindo que, até à conclusão do negócio, poderá haver outros «pequenos ajustamentos».

A 30 de Novembro de 2004, a Autoridade da Concorrência (AC) anunciou que tinha autorizado a Caixa Geral de Depósitos (CGD) a adquirir seguradoras da Seguros e Pensões (SeP) -- holding seguradora do Millennium bcp -- mas impondo condições ao banco estatal.

Em Julho último, o BCP e a CGD acordaram que esta adquiriria, por 343 milhões de euros (ME), o controlo exclusivo da Império Bonança, da Seguro Directo Gere, da Impergesto e da Servicomercial, operação que dependia da autorização da AC.

O BCP acordou ainda com o banco belga-holandês Fortis a alienação de 50% do capital e transferência do controlo de gestão da Ocidental, da Ocidental Vida, Pensõesgere e uma parte da Medis por 500 ME, estando estas transacções sob a alçada da Comissão Europeia (CE).

O Fortis ficará com uma posição relevante no mercado segurador e de fundos de pensões em Portugal, cuja quota de mercado no Ramo Vida é de 21% e de 27% na gestão de fundos de pensões.

O Instituto de Seguros de Portugal (ISP) não se opõe aos projectos de aquisição pela CGD e pelo Fortis do negócio segurador do BCP.

Jardim Gonçalves frisou que esta estratégia de alienações com recentragem no seu core-business, frisando: «desejamos a melhoria dos nossos rácios (de capital), estamos bem (em termos de rácio de capital)».

Recordou que o último aumento de capital do Millennium bcp já visava dotar o banco de capacidade de efectuar as necessárias alienações, sem pressas e a valores correctos.
Redação / Reuters/AM