A FRETILIN mostrou a sua disposição num comunicado emitido horas depois da demissão do primeiro-ministro e líder do partido, Mari Alkatiri.

«Este é um momento extremamente difícil e emocional na história do movimento de independência», sublinha no comunicado Estanislau da Silva, porta-voz d a comissão política nacional do partido.

Segundo aquele dirigente, o partido teve sempre o objectivo de resolver a crise de forma pacífica e em conformidade com os princípios democráticos e Mari Alkatiri decidiu demitir-se «no interesse do país e da sua independência, pel a qual a FRETILIN lutou ao longo de 31 anos».

«Uma carta de demissão foi entregue esta segunda-feira à tarde ao Presidente da República e o nosso partido está preparado para iniciar imediatamente o diálogo para a resolução da crise», afirma, sem fazer qualquer referência a alternativas de governo após a saída de Alkatiri.

Noutro ponto do texto, a FRETILIN apela para a contenção das «centenas de milhares de militantes e de apoiantes» do partido, pedindo que «não actuem de qualquer forma que possa ameaçar a paz e a estabilidade do país» até que «os factos (por detrás da actual crise) sejam esclarecidos».

«A primeira prioridade deve ser restaurar a segurança e a estabilidade da vida da população, só possíveis através de um diálogo entre todos os sectores e instituições», lê-se no documento.

A FRETILIN «não esperava que, numa democracia, o líder de um partido eleito com uma maioria esmagadora pudesse ser obrigado a demitir-se desta forma», sublinha, frisando que «esta crise não foi criada» pelo partido governamental.