A Geocapital, que integra como accionista a Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM), maioritariamente detida pelo multimilionário Stanley Ho, foi constituída para avançar com investimentos nos sectores básicos da economia de países de língua portuguesa, esclareceu a mesma fonte.

A TAP foi escolhida pelos credores e pela administração da Varig para ser a parceira na viabilização da companhia aérea brasileira, mas necessitava de um parceiro com capacidade e disponibilidade para a apoiar com os recursos necessários para esse investimento, o qual foi encontrado na Geocapital, esclareceu.

Hoje está a decorrer mais uma reunião dos credores da Varig, para aprovar o plano de reestruturação proposto pela TAP.

Em meados de Outubro, o banco estatal brasileiro BNDES anunciou a disponibilização de linhas de financiamento para os futuros compradores das empresas Varig Engenharia e Manutenção e Varig Log (transporte de carga).

A primeira etapa do processo proposto pelo banco prevê a alienação do controlo das duas empresas por uma verba inicial de 62 milhões de dólares, dinheiro que a Varig utilizará para pagar dívidas.

O parceiro escolhido investirá directamente um terço desta quantia (cerca de 21 milhões de dólares) e o banco disponibilizará a este mesmo parceiro um crédito que até ao limite dos restantes dois terços (cerca de 42 milhões de dólares).

Numa conferência de imprensa, em Lisboa, a 26 de Outubro, Fernando Pinto explicou que a TAP tem capacidade para investir os 21 milhões de dólares, se for seleccionada como parceiro, mas afirmou que prefere avançar já em conjunto com um investidor.

"Interessaria que este primeiro investimento não fosse feito directamente pela TAP, mas sim em conjunto com um parceiro", disse, na altura.

O administrador-delegado da transportadora aérea portuguesa afirmou que a TAP e o banco JP Morgan estão a desenvolver um processo de due dilligence (avaliação) da VEM e da Varig Log, para terem uma ideia do valor final das duas empresas.

A Varig enfrenta actualmente a mais grave crise financeira de sua história, com dívidas totais que ascendem a cerca de seis mil milhões de reais (cerca de 2,2 mil milhões de euros).

Do total das dívidas, 64 por cento respeitam a compromissos com empresas estatais brasileiras, nomeadamente a Infraero (controlo de aeroportos), BR Distribuidora (combustíveis) e o Banco do Brasil.

A Varig deve ainda 1,8 mil milhões de reais (cerca de 666,7 milhões de euros) ao fundo de pensões dos funcionários da empresa, o Aerus.

No dia 22 de Junho, o Tribunal do Rio de Janeiro aceitou o pedido de «recuperação judicial» feito pela Varig para obter um prazo de 180 dias para negociar o pagamento das dívidas.

Antes do pedido de «recuperação judicial», medida prevista pela legislação brasileira, a TAP havia assinado um «memorando de entendimento» com vista à capitalização da Varig.