«O que queremos é lançar no mercado uma nova geração de empreendedores, com novas atitudes, permitir que muitas ideias boas não morram por falta de financiamento», disse o secretário de Estado Adjunto da Indústria e da Inovação, António Castro Guerra.

O programa, que será operacionalizado através de fundos de capital de risco e de garantia mútua e em parceria com universidades, politécnicos, pólos tecnológicos, incubadoras de empresas, vai começar a ser divulgado junto dos vários agentes por técnicos do Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas (IAPMEI).

Segundo o presidente do IAPMEI, Jaime Andrez, o «ciclo de visitas» inicia-se sexta-feira na Universidade de Aveiro, tendo por base uma aposta em «modelos de parcerias e dinâmicas de rede entre diversos agentes públicos e privados».

O Finicia, o primeiro de três programas do IAPMEI que têm por função acompanhar os diversos ciclos de vida das pequenas e médias empresas, vai mobilizar 64 milhões de euros de recursos públicos e 50 milhões de recursos privados.

Enquanto o Finicia visa favorecer o processo de criação de empresas e potenciar talentos, os outros programas são o Fincres (para apoio ao crescimento e consolidação de lideranças) e o Fintrans (destinado a apoiar a transmissão da propriedade das empresas e os ganhos de eficiência).

Segundo o vice-presidente do IAPMEI, José Furtado, o Finicia visa «facilitar o financiamento de negócios emergentes e empresas de pequena dimensão, procurando desenvolver o sector informal de capital de risco e incentivar as redes de agentes de empreendedorismo».

Por outro lado, visa contribuir para a «fluidez na transferência de conhecimento dos centros de saber para as PME" e participar em acções de "consolidação da estrutura empresarial de base local», disse.

O programa privilegia os projectos com forte conteúdo de inovação, que poderão ser financiados em 85% num montante global máximo de 2,5 milhões de euros.

Prevê também apoios para negócios emergentes de pequena escala, com financiamentos até 100% em projectos até 25 mil euros e até 90% em projectos até 45 mil euros.

Por outro lado, serão apoiadas iniciativas empresariais de interesse regional (até 100% em investimentos no máximo de 45 mil euros).

Castro Guerra frisou que o crescimento económico não se faz apenas com o investimento estrangeiro, visando os programas em curso ajudar as pequenas e médias empresas portuguesas a darem «saltos na cadeia de valor» e fazer «emergir realidades novas».

Sublinhando que o país não pode prescindir das PME no objectivo de aumentar as exportações, Castro Guerra lamentou que as grandes empresas não arregimentem à sua volta empresas de menor dimensão.

O secretário de Estado exortou os jovens que saem das universidades e das escolas profissionais a não ficarem à espera de um emprego e a serem «ambiciosos» e «donos do seu destino» tornando-se empresários.

«Para o contrato social ser sustentável é preciso empreendedorismo e crescimento económico», frisou.
Redação / Lusa/BP