O alerta foi deixado pelo presidente da Confederação Industrial portuguesa (CIP), Francisco Van Zeller, à saída da reunião. «Nas indústrias mais frágeis isto tem um efeito que se pode dizer que provoca e antecipa o fecho de muitas empresas», disse.

Apesar de apenas 5,5% da população trabalhadora auferir o salário mínimo, o presidente da CIP ressalva «obviamente que nos sectores mais frágeis a média é muito superior, haverá 10 ou 15% de empregados que são afectados por este valor». Em termos sociais, admite que «o valor é baixo», mas adianta que, para as empresas, «estamos a falar de 200 euros por ano de encargos».

Na perspectiva social, «o aumento não é muito grande, se calhar precisávamos que fosse muito maior para acabar com uma camada muito grande de pessoas que vive com dificuldades», admite.

Na opinião de Van Zeller, o Governo tentou conseguir um equilíbrio entre as duas perspectivas, «mas a tentativa de ajustar pelo lado social, que é fazer aumentos superiores à produtividade, irá resultar em fecho de empresas. Com certeza que isso é aceitável, o fecho de empresas não é nenhuma anormalidade, fecham umas, abrem outras, é uma questão de saber se vão abrir empresas em número suficiente para não afectar o desemprego». Isto porque, lembra, «não são só os trabalhadores com salário mínimo que são afectados, são todos os outros da tabela salarial imediatamente acima, portanto, o número de pessoas afectado é muito superior àquele do salário mínimo».

Governo não deu muito espaço a discussão da proposta

A CIP acusa o Governo de não ter submetido a proposta a discussão, já que ao valor «mal foi discutido. Nós demos a nossa opinião e o Governo já tinha a sua opinião formada, porque como se sabe, isto é um indexante, que afecta o orçamento. Propinas, pensões, etc. são afectadas por isso. De maneira que o Governo também era parte interessada e trouxe a solução, nem sequer levou em conta aquilo que nós dissemos».

Para os industriais, esta solução é o meio-termo encontrado pelo Governo, uma solução intermédia, que «vai provocar algum desemprego. Pode não ser grave porque o destino seria esse de qualquer maneira mais tarde». Por outro lado, uma subida «francamente acima da inflação, de certa maneira corrige anos anteriores em que não houve subida acima da inflação».

A alternativa era seguir o exemplo espanhol, em que, «durante anos fizeram aumentos de 15, 18, 11%, para resolver de vez o problema (social). Depois o desemprego subiu muito também nos anos em que isso aconteceu, que foi nos anos 90».

Falando apenas do ponto de vista empresarial, a CIP diz que este aumento não seria aceitável, mas em termos sociais, o seu presidente diz compreender que é «necessário aumentar os salários mínimos dentro do que a economia aceitar».

Mas deixa o aviso: «isto administrativamente vai acelerar algumas atitudes das empresas, porque ao aumentar muito acima daquilo que é permitido para elas sobreviverem, elas vão ter que tomar atitudes, poderá ser investir, poderá ser fundir, fechar, dispensar pessoal, etc».