Os advogados dos sete arguidos do processo de pedofilia da Casa Pia defendiam que as sessões do julgamento fossem públicas, embora alguns colocassem restrições.

Frontalmente contra a publicidade do julgamento manifestou-se o advogado das alegadas vítimas, António Pinto Pereira, alegando a gravidade dos factos, a pouca idade das vítimas e a sua especial vulnerabilidade, que "têm a todo o momento de exigir um ambiente de ponderação e maturação".

O delegado do Ministério Público João Aibéo afirmou que não se opõe a que os jornalistas possam assistir aos interrogatórios, mas não o público em geral. Ressalvou, contudo, que se algum dos arguidos se opuser a que isso aconteça quando estiver a prestar declarações, esse desejo deve ser respeitado.

Também ontem, o advogado do arguido Carlos Silvino, José Maria Martins, pediu aos juízes que a audição do ex-funcionário casapiano, agendada para amanhã, fosse aberta aos jornalistas. No entanto, esta tarde, o advogado pediu para que o seu cliente seja ouvido sozinho, sem a presença dos outros arguidos. O causídico justificou a sua proposta com o argumento de impedir "perturbações nem constrangimentos" quando o seu cliente estiver a fazer declarações ao tribunal. O delegado do Ministério Público já concordou com a solicitação do advogado.

Por sua vez, os advogados dos restantes seis arguidos do processo de pedofilia da Casa Pia manifestaram-se contra a proposta do defensor de Carlos Silvino. O ex-funcionário da instituição deveria iniciar hoje as suas declarações.
Redação / Lusa/AM