Nas povoações raianas, como Valença, Chaves, Miranda do Douro, Elvas ou Vila Real de Santo António, são cada vez mais as pessoas que compram o gás para consumo doméstico do outro lado da fronteira.

«Os dados não são fáceis de apurar, mas atendendo às quebras de vendas que registamos nos últimos seis meses, podemos assegurar que há mais de 70 mil famílias a comprar o gás que gastam em Espanha», disse um dos maiores distribuidores de combustíveis do norte do País.

«Antigamente não tínhamos mãos a medir, mas agora isto está mesmo parado», disse-nos o gasolineiro Duarte Mendes, do posto da Galp de Valença do Minho.

Contactado pelo CM, o presidente da Associação Nacional dos Revendedores (ANAREC), disse que «esse número peca por defeito» e assegurou que, por causa dessa diferença de preços, que tem por base a questão da tributação, «as famílias e o Estado português estão a ter enormes prejuízos».

Se cada uma dessas 70 mil famílias gastar uma média de quatro garrafas por mês (cada garrafa em Espanha custa 10,16 euros), são mais de 34 milhões de euros que os portugueses deixam anualmente em Espanha, só na compra de gás.

«Se ao gás juntarmos a gasolina, cujo valor é muito superior, facilmente concluiremos que o Estado português ganharia muito mais dinheiro de baixasse os impostos dos combustíveis e, assim, fizesse com que as vendas aumentassem», acrescentou António Saleiro.

O presidente da ANAREC disse que «a situação, em muitos casos, é dramática» e anunciou que esta questão da «corrida aos combustíveis em Espanha» vai ser tema central do congresso da ANAREC, marcado para Janeiro, no Estoril.