Uma semana depois do sismo e do maremoto que desfiguraram as costas do Índico, surgem números dramáticos de mortos e desaparecidos, mas também histórias extraordinárias de sobrevivência no mar, nas ilhas e em terra. Entretanto, a ONU teme que o número de vítimas mortais ultrapasse as 150 mil, quando o número oficial de mortes já ultrapassa as 145 mil.

Cerca de 50 sobreviventes foram hoje salvos na ilha indonésia de Sumatra, a mais próxima do epicentro e, portanto, a zona mais devastada da região. Só ali terão morrido pelo menos 80 mil pessoas. O Exército americano chegou hoje a uma aldeia na região de Banda Aceh e entregou os primeiros pacotes de ajuda humanitária, mas encontrou no local os cerca de 50 sobreviventes em péssimas condições de saúde e tão fracos que não conseguiam falar ou andar, dada a falta de alimento e água. Os indonésios foram levados de helicóptero, após uma semana de terrível isolamento nos escombros, até ao hospital, na capital provincial.

Da Malásia chega outra história de sobrevivência, desta feita protagonizada por apenas uma mulher, de 23 anos, que se agarrou à vida durante a passagem das ondas gigantes numa árvore, que só largou quando um barco de atum passava e a resgatou, tendo deixado a vítima no hospital. Ontem, outro sobrevivente solitário, o pescador indonésio Tengku Sofyan, foi encontrado quase sem vida devido à fome e desidratação sob os escombros do seu barco, onde estava quando o tsunami se formou ao largo de Sumatra. O barco, e com ele Tengku Sofyan, foi atirado para terra e deixado sobre o seu ocupante até ontem. Além dos problemas de saúde física, a sua condição mental preocupa os médicos.

Outros quatro pescadores indonésios foram encontrados vivos no mar de Andaman, seis dias depois do seu barco ter sido empurrado para alto mar pelo maremoto.

Contudo, as histórias de sobrevivência mesclam-se com o terrível cenário de destruição naquela zona do globo. A ONU anunciou que teme que os números da catástrofe continuem a aumentar e que a contabilização das vítimas mortais ultrapasse as 150 mil mais recentemente previstas.

A Indonésia juntou hoje mais 14 mil mortos à sua lista, o mesmo tendo acontecido no Sri Lanka, onde mais 1400 pessoas foram encontradas sem vida, admitindo-se que mais cinco mil pessoas possam ter morrido naquela ilha, o segundo país mais afectado pelo maremoto.

O número de cadáveres que se acumula nos templos, hospitais e morgues improvisadas é tal que, na Índia e na Tailândia, as autoridades admitem desistir de encontrar os cerca de dez mil desaparecidos ainda nas listas. Com as pilhas de corpos por identificar e perante o risco iminente de epidemias, as autoridades de muitos países optam por enterrar rapidamente os mortos, mesmo que estes não estejam identificados.

Para os sobreviventes e famílias das vítimas, a única esperança reside na ajuda humanitária de emergência, cujas equipas multinacionais tentam ajudar a alimentar, medicar e reconstruir. Os dadores internacionais juntaram já cerca de 1.500 milhões de euros para fazer face à destruição total em muitas zonas dos países atingidos. Desde os aeroportos, até às estradas ou barcos para os pescadores, tudo falta nas nações do Índico.

Muitos dos sobreviventes estão feridos ou sem casa. No Sri Lanka, perto de 17 mil pessoas ficaram feridas e quase um milhão sem casa.
Redação / Público on line/AM