«Não obstante alguns segmentos da indústria com maior dimensão que são obrigados a ter licença de emissão [de gases com efeito de estufa] e que começam a ganhar consciência, a generalidade dos empresários portugueses estão muito insuficientemente alertados para este problema», disse Francisco Nunes Correia à margem da apresentação de um estudo que traça diferentes cenários para as alteraç ões climáticas em Portugal.

No final da cerimónia de apresentação das conclusões do projecto SIAM I I, o ministro lamentou que «os valores económicos façam, muitas vezes, esquecer os valores ambientais» e alertou para os perigos futuros desta tendência.

«O ambiente cobra o seu preço com juros e se não tomarmos as devidas medidas vamos pagar um preço bem mais caro», avisou, garantindo, no entanto, que o Governo não partilha do princípio de sobrevalorização dos valores económicos em detrimento dos ambientais.

Segundo Nunes Correia, o ministro da Economia, Manuel Pinho, está muito sensibilizado com as questões do Ambiente e do Ordenamento do Território e o relacionamento entre as duas pastas dentro do Executivo «é excelente».

Para reduzir os efeitos adversos das alterações climáticas que se prevê em no futuro, o ministro considerou que Portugal precisa de aumentar a eficiência energética e apostar nas energias renováveis como a solar, eólica e das marés, de que o país tem um dos maiores potenciais da Europa.

Maior frequência e intensidade de ondas de calor e de períodos de seca e aumento do nível das águas do mar e da erosão costeira são algumas das conclusões do projecto SIAM II, o maior estudo sobre alterações climáticas em Portugal que envolveu 61 investigadores nacionais na definição de diferentes cenários e impactos deste fenómeno até final do século XXI.
Redação / Lusa/BP