No encerramento do 15º Congresso das Comunicações da APDC, o responsável afirmou que «é natural que o Estado tenha uma posição adequada para defender uma empresa estratégica (como a PT)».

Uma posição que, segundo o responsável do Executivo, pode passar pela manutenção da golden share que o Estado detém actualmente na PT, ou por outras práticas, como o reforço da sua participação accionista na operadora de telecomunicações.

«Nem estou a defender que a detenção de uma Golden Share pelo Estado é a única, ou mesmo, a melhor forma de defender o interesse público numa empresa estratégica: outros Estados, como a França ou a Alemanha, por exemplo, preferiram, em alternativa, manter uma detenção mais substancial da percentagem do capital social nas suas empresas de telecomunicações, e eu compreendo bem esta opção», acrescentou.

Sobre o pedido de avaliação da golden share em questão, que foi levado a Bruxelas, o ministro da tutela referiu que, até ao momento, «não há nenhum pedido de esclarecimento» por parte da Comissão Europeia ao Governo português.

Durante o seu discurso, Mário Lino relembrou o percurso da Portugal Telecom desde a data da sua privatização, deixando claro que a existência de golden shares pretende proteger as empresas, por exemplo, de ofertas públicas de aquisição hostis. O mesmo não acha por isso descabido que, numa altura em que se adivinham cenários de consolidação em toda a Europa, se levante esta questão em relação à PT, deixando subentender que a operadora portuguesa seria apetecível.

Confrontado com as declarações do ministro, o presidente executivo da PT, Miguel Horta e Costa, também não escondeu que a PT é um alvo apetecível. O responsável voltou a frisar ainda que veria com bons olhos o reforço do núcleo duro de accionistas, onde se inclui o Estado.
Alda Martins