À saída da conferência «Lisboa 2017 um Aeroporto com Futuro», o ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, reconheceu que o novo aeroporto «nunca é um projecto que recolha unanimidade das pessoas, como não foram o Alqueva, a Ponte 25 de Abril, a Ponte Vasco da Gama, a Casa da Música, o Centro Cultural de Belém a Expo98. São tudo grandes projectos que geram controvérsia».

Mas acrescentou que a «controvérsia é bom em democracia, mas nós estamos absolutamente convictos que esta é uma decisão de grande importância para o país, que já devia ter sido tomada e que é tomada agora para ver se não nos atrasamos mais do que já estamos».

O aeroporto da Ota é um projecto que vem originalmente de anteriores governos e que tem levantado várias controvérsias, entre economistas, empresários e mesmo dentro do próprio partido do Governo. No centro da polémica têm estado sempre dúvidas sobre a necessidade de construção de um novo aeroporto, quando a capacidade da Portela ainda não está esgotada; a distância que separa a Ota da capital; e a necessidade de uma obra desta envergadura, que deverá representar um investimento superior a três mil milhões de euros, numa altura em que o Governo tem um «deadline» para combater o défice.

O Governo contra argumenta com o limite de capacidade da Portela, com a necessidade de investimentos estruturais como este, que chamam as empresas e criam postos de trabalho, ao todo cerca de 56 mil.

Para além disso, o ministro já fez saber que grande parte do investimento será feito por privados e alertou para a possibilidade de ser perderem os apoios de Bruxelas a este projecto se o Governo alterasse a localização.
Alda Martins