Um estudo da associação hoje divulgado considera que «não será possível estender a capacidade da Portela para além dos 16 milhões pois a caça ao estrangulamento a que se tem procedido nos últimos anos não é susceptível de ser prolongada sem grandes custos e sem grave deterioração da qualidade do serviço».

Além disso, a deslocalização de algum tráfego para outro aeroporto, mesmo que seja resultante da adaptação de uma base aérea e explorado em paralelo com a utilização pela força aérea, «seria um caminho caro e pouco eficaz na redução da pressão sobre a Portela».

Assim, a AIP considera que a construção do novo aeroporto deve ser «programada por forma a que possa entrar ao serviço quando estiverem para ser alcançados os 16 milhões de passageiros/ano. Para isso, porque um aeroporto leva 8 a 10 anos a construir, não há, de acordo com as previsões, tempo a perder» e «todos os estudos e projectos necessários devem ser concluídos tão breve quanto possível». E, acrescenta, «tem que ser projectado com ambição para poder ser ampliado por fases».

Por isso mesmo e para que não se perca mais tempo, o novo aeroporto «deve ser na Ota, em conformidade com a última decisão governamental conhecida a esse respeito. Só a identificação concreta de algum erro ou omissão grave poderá ser considerada válida para rever a decisão».

Entretanto, a AIP lembra que é fundamental assegurar a disponibilidade de toda a área de terreno possível para o desenvolvimento do novo aeroporto, incluindo as bases operacionais das companhias transportadoras, independentemente de qualquer faseamento da construção, estações multimodais de transporte, parques de estacionamento, hotéis, etc.

Distância não é excessiva

Sobre a distância que separa a Ota de Lisboa, e o tempo que demorará o acesso ao aeroporto, consideram os patrões da indústria que «não são excessivos», tornando-se indispensável que o novo aeroporto, na Ota ou em qualquer outro lugar fora da cidade, seja servido por «uma ligação ferroviária, tipo metro, bem como por acessos rodoviários diversificados».

A construção do novo aeroporto na área de Lisboa «não prejudica o do Porto ou o de Faro, desde que estes tenham capacidades e características adequadas ao tráfego que os demanda».

A AIP não espera ver a Ota tornar-se no «hub» da Península Ibérica nem acredita em «qualquer tipo de concorrência impossível com o aeroporto de Madrid». «Não é um projecto megalómano e sumptuário nem um mega-aeroporto, mas tem que ser um investimento estratégico, tendo em vista muito mais do que o mero serviço à Capital».

Por fim, diz a AIP, «a entrada do novo aeroporto em operação implica o encerramento simultâneo do actual. Não é economicamente viável a existência de dois aeroportos para o tráfego total previsível em Lisboa, não importa qual deles seja considerado principal ou secundário».
Redação / PGM