Contactado pela «Agência Financeira», o porta-voz dos pilotos, Tiago Mendes afirmou considerar que «tanto para a TAP como para a PGA esta operação deverá ser boa. Boa para ambos os trabalhadores». Isto se «tudo for bem feito logo desde início».

E fazer bem, para este sindicato, que representa profissionais das duas transportadoras, passa por salvaguardar várias situações, nomeadamente e a mais importante, a independência das duas companhias. «O que nos foi transmitido, e que é uma posição pública, é que as duas empresas se deverão manter independentes. Penso que é muito importante que isso aconteça porque são duas empresas muito diferentes, num universo diferente e com culturas muito diferentes também», acrescentou.

De resto, sem grandes reservas, até porque oficialmente as bases do negócio ainda não lhes foram apresentadas, apesar das solicitações à TAP.

Trabalhadores não deverão ter problemas

«O próprio negócio poderá ser complementar. A PGA, devido à especificidade da sua operação, será mais um distribuidor da TAP. Penso que a base da ideia deste negócio está mais neste sentido, até porque a dimensão das empresas é muito diferente», afirma Tiago Matos, para já, com os dados que tem disponíveis.

Mesmo quando questionado sobre as diferenças salariais entre as duas empresas, o porta-voz do sindicato não mostrou receios, embora admita que noutras situações semelhantes em que não foi salvaguardada a independência, mas sim a integração de quadros e de estruturas, houve problemas. «As diferenças que existem entre a TAP e a PGA apenas se devem ao trabalho desenvolvido pelos pilotos da PGA (que recebem menos). Na PGA sendo uma empresa independente e se continuar a sê-lo, os seus trabalhadores deverão, de acordo com isso, reivindicar aquilo que acham que lhes é justo e merecido, devidamente argumentado e fundamentado. É o que os pilotos da TAP também fazem», justifica.

«A nossa posição é desenvolver emprego em Portugal. É desenvolver as empresas que trabalham em aviação e dar as melhores condições a todos os trabalhadores, independentemente de serem pilotos, ou não, apesar de neste caso me reportar a estes. Achamos que as empresas devem ganhar muito dinheiro para poderem pagar muito dinheiro aos pilotos. Como sindicato, é isso que defendo: que as empresas dêem boas condições de trabalho aos seus trabalhadores e que os seus trabalhadores ajudem», comentou ainda.
Monica Freilão