A surpresa do XX Congresso do CDS começou na tarde de sábado, com o primeiro discurso de Ribeiro e Castro, que inflamou os delegados e garantiu que avançaria para a liderança se a sua moção fosse a mais votada.

Telmo Correia, que chegou à reunião magna dos populares como o sucessor natural de Portas, não conseguiu entusiasmar o Congresso, apesar de contar com o apoio das duas moções que, teoricamente, reuniriam mais apoios.

Depois de Paulo Portas ter anunciado a sua demissão a 20 de Fevereiro, Telmo Correia demorou dois meses - até à véspera do Congresso - para assumir a sua candidatura, apoiada em duas moções em que não colaborou.

A estratégia de Ribeiro e Castro foi diferente: com a sua candidatura a ser sugerida primeiro pelo dirigente Luís Nobre Guedes, o eurodeputado admitiu essa hipótese nas várias apresentações que fez pelo país da moção que escreveu em cima do prazo limite, 2009.

Ausente na semana antes do Congresso, numa missão do Parlamento Europeu no Mali, Ribeiro e Castro só no primeiro dia da reunião teve de dar o passo em frente para a disputa da liderança.

Às 06:00 de domingo, o Congresso aprovou a sua moção, com uma maioria confortável de mais de cem votos sobre o documento em que Telmo Correia se apoiava para disputar a liderança.

Na sua equipa, Ribeiro e Castro integrou alguns dos notáveis que lhe manifestaram apoio em Congresso: Anacoreta Correia como vice-presidente, António Lobo Xavier e Sílvio Cervan na comissão executiva e Maria José Nogueira Pinto como presidente da mesa do Conselho Nacional.

De fora dos órgãos nacionais do partido, por vontade do próprio, ficou outro dos apoiantes que marcaram a viragem do Congresso: o dirigente Luís Nobre Guedes, que tinha chegado ao conclave dos democratas-cristãos ao lado de Telmo Correia.

A derrota do ex-ministro do Turismo arrastou os rostos do partido nos últimos anos, como o vice-presidente António Pires de Lima ou o líder parlamentar Nuno Melo, que já deu a entender que poderá não estar disponível para continuar à frente da bancada popular.

No entanto, aqueles que foram os homens-fortes de Paulo Portas integram a lista mais votada para o Conselho Nacional, tendo conseguido eleger mais um membro do que Ribeiro e Castro para o órgão máximo do partido entre Congressos, mas sem maioria, já que houve uma terceira lista que elegeu três elementos.

O novo líder definiu como uma das principais bandeiras a eleição directa pelos militantes do presidente do CDS e apresentou ao Congresso um discurso mais marcadamente ideológico e centrado nos valores tradicionais da democracia-cristã que o seu adversário.

Aliás, no seu núcleo duro, Ribeiro e Castro acolheu dois presidentes de associações pró-vida: José Paulo Carvalho e Paulo Núncio.

Fora da comissão executiva do eurodeputado ficaram as mulheres, já que os 12 elementos deste órgão são homens. Na comissão política nacional, existem apenas três mulheres, numa lista de 26 pessoas.

Para os próximos combates eleitorais, Ribeiro e Castro defende o reforço do CDS nas autárquicas, o apoio conjunto com o PSD ao candidato presidencial à esquerda do PS com melhores condições de vitória, o «sim» ao Tratado Constitucional europeu mas com liberdade de voto para os militantes e um «não» categórico à despenalização do aborto.

No seu discurso de aclamação, o novo presidente fez questão de dizer que não temia ser um líder de transição.

«De transição somos todos nós, desde a fundação do partido», disse, prometendo uma maior abertura do partido à sociedade.

Portas despediu-se do partido no sábado, antes de ser escolhido o novo líder, dizendo aos democratas-cristãos para não terem medo do novo ciclo.