O Governo anunciou que o défice orçamental deverá ficar em 3% do Produto Interno Bruto (PIB) já este ano, abaixo dos 3,3% que se esperavam até agora. Esta alteração significa antecipar num ano o cumprimento das regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) e representa também o alcançar de um objectivo que foi iniciado ainda pelo Governo de Durão Barroso, quando Ferreira Leite era ministra das Finanças.

Pode-se dizer que acaba aqui a famosa «obsessão do défice», já que se alcança a meta dos 3%, apesar de ser necessário continuar a reduzir o buraco das contas públicas, e se cria espaço para voltar a apostar em políticas económicas mais expansivas, ou seja, para abrir um pouco «os cordões à bolsa».

Pelo caminho, os portugueses tiveram de «apertar muito o cinto» e fazer muitos sacrifícios, decorrentes das políticas restritivas que os Governos tomaram em nome da redução do défice.

Mas esse foi um esforço que, para José Sócrates, «valeu a pena»: «Estão de parabéns os portugueses e o esforço dos portugueses, que trabalharam para isto», disse.

«A consciência que existe é de que esse trabalho valeu a pena, foi um investimento no nosso futuro. Agora já temos condições para projectar um crescimento sustentado com base na confiança e no prestígio», disse.
Rui Pedro Vieira / PGM