No entanto, a situação política que o país atravessa penalizou o principal índice nacional em 0,25% no corrente mês. «A situação política agitou o mercado nos dias seguintes (ao anúncio da dissolução do Parlamento)», afirmou um operador à Agência Financeira. «Depois houve uma recuperação e o efeito foi diluído», acrescentou o mesmo.

Embora o país atravesse uma situação política e governativa instável, os investidores não parecem ter isso em conta. Segundo os analistas, as apostas para o final do ano passam mesmo pelos títulos da Sonaecom e da Impresa, no que diz respeito em termos fundamentais.

O grupo liderado por Francisco Pinto Balsemão, a Impresa, regista uma das maiores valorizações no PSI20 (42%). Os analistas acreditam que possa valorizar ainda mais em 2005, dado as boas perspectivas para o mercado publicitário no próximo ano, nomeadamente em televisão, assim como ao eventual controlo total da SIC por parte da Impresa. Relembre-se que a Impresa está em negociações com o BPI para a aquisição da participação do banco liderado por Fernando Ulrich.

Por outro lado, a família Sonae regista, desde o início do ano, valorizações acima de 50% e continua a ser uma aposta a curto prazo. A Sonaecom beneficia do recuo da Anacom ao autorizar a comercialização do telefone fixo sem assinatura mensal e do regresso à prestação de serviços de acesso à Internet por banda larga através de ADSL. Já a holding liderada por Belmiro de Azevedo, a Sonae SGPS, encontrou um novo estímulo depois do anúncio da saída dos franceses Carrefour da Modelo Continente.

Mas é o Banco Comercial Português (BCP) que tem revelado maior liquidez desde o mês de Novembro. Só na passada sexta-feira negociou 40,120 milhões de euros de uma só vez em bolsa, correspondentes a 1,26% do capital social. Nesta segunda-feira voltou a negociar 24 milhões de euros numa só passagem. Ambas as passagens fizeram-se nos 1,80 euros. Estas passagens de carteira «podem estar relacionadas com alguma operação de final de ano», referiu o mesmo operador. No entanto, «como não temos acesso à informação sobre quem efectua as operações, há que esperar pela informação».

Quanto à possibilidade das estar relacionado com as denominadas «puxadas» de fim de ano, o mesmo operador «não» acredita, pois «nos últimos três a quatro anos não tem havido puxadas». Além disso, «o PSI20 regista um ano positivo, apenas ultrapassado por alguns índices europeus».

De facto, entre Janeiro e Novembro de 2004, o PSI20 valorizou 11,5%, ultrapassado pelo índice italiano MIBEL, que subiu 11,63% desde o início do ano, pelo índice espanhol IBEX, que conta com uma valorização de 12,35%, e pelo índice belga, o BEL, com mais 27,04%.

Até ao final do ano, «não acredito que haja grandes alterações no nosso mercado», reiterou o operador. «Vai depender também do comportamento dos mercados lá por fora. A valorização do euro é que pode prejudicar a recuperação económica na Europa e atingir os mercados», concluiu.
Sandra Pedro