A polémica de manter como revisores oficiais de contas do Millennium BCP sócios da KPMG, que é também a auditora externa, arrasta-se à próxima Assembleia-Geral, com a introdução na ordem de trabalhos de propostas divergentes.

No meio de grande polémica e ameaças de nulidade da deliberação, que ainda correm, a KPMG e o revisor oficial de contas Vitor Manuel da Cunha Ribeirinho foram ainda assim eleitos na anterior Assembleia Geral (AG) do banco, mas a decisão volta a ser posta em causa na reunião magna agendada para 30 de Março, avançou a Lusa.

A proposta foi mantida, apesar das questões de possível nulidade levantadas por accionistas como a Teixeira Duarte e Joe Berardo, tendo os advogados alertado que podia haver uma decisão nula, já que Vítor Ribeirinho, proposto como Revisor Oficial de Contas, é sócio da KPMG, por sua vez a empresa que é a auditora externa das contas do banco.

Agora, à AG de 30 de Março vão várias propostas - já disponíveis no site das instituições - incluindo alterações estatutárias, por causa desta decisão, que ocupa em exclusivo dois dos dez pontos da agenda.

«O exercício de funções em qualquer corpo social é incompatível com o exercício de funções de qualquer natureza (¿) em outra instituição de crédito», lê-se na proposta geral de alteração de estatutos assinada pela Teixeira Duarte, Joe Berardo e EDP, entre outros.

Esta é a mesma proposta que, com Sonangol e Stanley Ho prevê a extinção do Conselho Superior e afasta do futuro Conselho Geral e de Supervisão (CGS) pessoas conotadas com o fundador e antigo presidente, Jardim Gonçalves.

Em oposição, o ponto sete na ordem de trabalhos, introduz, especificamente, uma proposta de alteração em que se inclua que «tratando-se de sociedade de advogados ou de sociedade de revisores oficiais de contas, a incompatibilidade prevista (¿) refere-se exclusivamente a quem a represente no exercício de funções», assinada por dois actuais membros do CGS.

No ponto seguinte, duas novas propostas, complementares à anterior, recordam que o exercício de funções do ROC eleito e da suplente, Ana Cristina Soares Valente Dourado, é «na situação de sócios» da KPMG e se pretende que a Assembleia Geral clarifique e delibere que serão estas pessoas a exercer essas funções.

A escolha da KPMG e do ROC na assembleia passada mereceu reparos e censuras de vários accionistas pelo facto de o CGS propor a reeleição da KPMG apesar das suspeitas de falhas da auditora na questão das off-shores usadas para comprar acções próprias do banco financiadas por este.

As acções do BCP fecharam a cair 1,74% para os 0,61 euros.
Redação / SPP