«O Grupo que estava (no consórcio Luso-Oil) continua unido, apenas sem a Carlyle», e com uma novidade «juntou-se a Semapa», afirmou Ilídio Pinho.

O empresário disse, no entanto, à Agência Financeira à margem da apresentação da fusão entre a All2It e a Tecnidata, que o consórcio não está «a tentar captar» novos parceiros para a Galp, mas sim «abertos à entrada de outros interessados internacionais, que queiram fazer parte de um grupo português que ofereça à Galp e ao Estado português condições de valorização da companhia em termos nacionais e internacionais». Posto isto, este grupo só está à espera que «o Governo decida a orientação da política energética em Portugal» para poder avançar.

Fonte governamental disse à Agência Financeira que são esperadas notícias sobre o novo modelo já no próximo mês de Junho.

A Agência Financeira contactou a empresa de Pedro Queiróz Pereira, mas não foi possível obter ainda um comentário.

Escolha de Murteira Nabo para chairman agrada

Entretanto, espera-se para a próxima segunda-feira, dia 30 de Maio, a primeira reunião do novo Conselho de Administração da Galp, que foi eleito no passado dia 24 e que nomeou Francisco Murteira Nabo para chairman.

Ao que a Agência Financeira apurou junto de fonte conhecedora do processo e próxima dos accionistas, a comissão será composta por três portugueses e dois italianos, sendo como certo o nome de Marques Gonçalves para o cargo de presidente executivo. Quanto ao administrador financeiro, várias vozes apontam no sentido de André Palmeiro Ribeiro, pela sua vasta experiência no sector financeiro ao nível da banca internacional, apesar de ainda não existir uma decisão final.

Sobre a escolha de Francisco Murteira Nabo para chairman, Ilídio Pinho só tece elogios. «É uma pessoa de quem sou muito amigo. É um homem notável, com grande experiência da vida empresarial e politica e acho que a Galp está de parabéns pelo novo chairman».



Recorde-se que a Petrocer foi o vencedor do concurso de venda de 40,79% da Galp centrada no negócio dos petróleos., uma operação que se inseria na reestruturação do sector energético português e que passava, também, pela transferência do gás da Galp Energia para uma empresa detida em 51% pela Energias de Portugal e em 49% pela ENI.

A ter acontecido, a Galp Energia ficaria apenas com o negócio dos petróleos, uma vez que a Transgás seria fundida na Rede Eléctrica Nacional (REN). A compra daquela participação ascendia a 856,42 milhões de euros (ME), assumindo-se a Petrocer como o novo parceiro estratégico da petrolífera. Mas, a integração do gás da Galp Energia no universo da EDP foi «chumbada» por Bruxelas, o que impediu a concretização de todo o processo.

Para além do consórcio vencedor, tinham concorrido a este concurso, o Grupo Mello e o consórcio da Luso-Oil, que era liderado pelo Grupo Espírito Santo e do qual faziam parte ainda os norte-americanos da Carlyle e os portugueses FomentInvest, Amorim, Olinveste, Fundação Oriente e a IP Holding.

Agora, e numa altura em que o novo Governo está a trabalhar no novo modelo para o sector energético, anteriores e novos interessados têm vindo a posicionar-se. Já declararam intenção de se manter na corrida o Grupo Mello, bem como o grupo que integra Ilídio Pinho e o BES. Stanley Ho é uma das novidades.

A Galp é controlada directamente pelo Estado em 25,77%. A Parpública controla 4,23%, os italianos da ENI possuem 33,34%, enquanto a Iberdrola mantém os os seus 4%. São ainda accionistas a REN com 18,3%, enquanto a Portgás e a Setgás detêm 0,044%, cada uma.