O PCP defendeu esta quarta-feira que as medidas do Governo de resposta à crise foram apenas «migalhas aos pobres» sem impacto na melhoria da vida dos portugueses, num debate que uniu a oposição nas críticas à «propaganda» do Executivo.

«Algumas migalhas para os pobres, que as eleições estão à porta. Mas, fundamentalmente, propaganda, muita propaganda, manipulação, que esconda o rotundo fracasso de 4 anos de Governo PS/Sócrates», afirmou o deputado do PCP Agostinho Lopes, acusando o executivo de «favorecer os poderosos».

PSD acusa Governo de ter deixado país mais pobre e injusto

O debate foi suscitado pelo grupo parlamentar do PCP que marcou para esta quarta-feira um agendamento potestativo (que dá ao grupo parlamentar o direito a decidir a ordem do dia) sobre o seu projecto de resolução com 23 medidas de combate à crise económica e social.

O diploma, que acabou por ser chumbado com os votos contra do PS, PSD e CDS-PP, e favoráveis do PCP, PEV, BE, propunha o aumento dos salários e das pensões, o alargamento do subsídio de desemprego e defendia o cancelamento das privatizações em curso, e maior controlo do Estado nos sectores estratégicos como a energia, comunicações e transportes.

Na sua intervenção, o deputado Agostinho Lopes acusou José Sócrates de promover uma «mistificação para iludir as responsabilidades do Governo sobre a gravidade da situação nacional», frisando que «os problemas e défices do país já há muito se faziam sentir, antes ainda dos impactos da crise do capitalismo».

PS fala de «oportunismo pré-eleitoral»

A maioria PS, pela voz do deputado Miguel Laranjeiro, justificou a rejeição do diploma argumentando que o projecto «é oportunista porque contém recomendações avulsas, argumentos demagógicos e propostas insustentáveis do ponto de vista orçamental».

Elogiando as medidas do Governo na área do emprego e de apoio às pequenas e médias empresas, o deputado do PS Jorge Seguro Sanches acusou o PCP de «oportunismos pré-eleitorais», uma acusação que o líder parlamentar comunista Bernardino Soares rejeitou.

Do lado da oposição, o líder parlamentar do CDS-PP, Diogo Feyo, considerou que o país vive uma «crise de confiança», questionando se o plano anti-crise do executivo deverá ser avaliado como propaganda.

Exemplo disso, criticou, é o plano de incentivos à instalação de painéis solares cujas regras de acesso limitam na prática o universo de empresas aptas a fornecer os serviços, o que constitui uma «violação à liberdade económica».