O primeiro-ministro, José Sócrates, disse esta quarta-feira que o Plano de Apoio ao Sector Automóvel(PASA), cujo modelo pode ser alargado a outros sectores, «permitirá ter empresas mais competitivas quando a crise passar, ao apostar na qualificação».

Falando durante uma visita ao centro de formação da CACIA, unidade do grupo Renault, José Sócrates, citado pela agência Lusa, considerou que «a decisão(da multinacional) de manter o emprego e apostar na qualificação dos seus colaboradores foi inteligente e corajosa».

As fotos do acontecimento

«É assim que se enfrentam os problemas, olhando a crise como oportunidade para nos tornarmos melhores», comentou, realçando que o PASA, de que a Renault foi a primeira a aderir, «visa criar condições para tomar essas decisões e, quando a crise passar, e há-de passar, teremos empresas mais competitivas».

Realçando que Portugal foi o primeiro país da Europa a desenhar um programa de apoio ao sector automóvel, o primeiro-ministro enalteceu também «o diálogo social» que permitiu à Renault aderir ao programa, para a qual foi «tão importante a adesão dos trabalhadores».

Produção automóvel caiu 47,6% em Espanha

Tata lança hoje o automóvel mais barato do mundo (fotos)

«Quero-vos dizer que estamos convosco a defender os postos de trabalho. Este é o momento em que o país precisa do Estado e a aposta do investimento público no saber e na qualificação é decisiva», disse.

O PASA foi apresentado pelo governo em Dezembro e contempla quatro eixos estratégicos: o estímulo ao emprego e à qualificação, o apoio às insuficiências financeiras, o ajustamento ao perfil industrial e tecnológico do sector e o incentivo selectivo à procura.

O apoio ao sector automóvel, através da medida de qualificação e emprego do PASA, traduz-se na inserção de trabalhadores em acções de formação, nos casos de redução temporária do período de laboração ou suspensão dos contratos, mediante o compromisso das empresas beneficiárias não fazerem despedimentos até 2010.

Até 10 mil trabalhadores a abranger

O período de candidaturas estende-se até 1 de Junho e, de acordo com o último ponto de situação, realizado no dia 11 de Março com as associações do sector, estavam já envolvidos no programa mais de 3.300 trabalhadores, estimando-se que possam vir a ser abrangidos até 10 mil trabalhadores.

Segundo dados divulgados pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP) a venda de carros novos registou uma diminuição de 42,6% em Portugal e uma média de 18,3% na Europa.

A quebra nas vendas de automóveis tem levado construtores e fornecedores a rever os planos de produção e desde Outubro que a fábrica de Cacia, do grupo Renault, tem optado por suspensões temporárias da laboração para não acumular stoks, devido às quebras de produção a montante, já que aquela unidade fornece componentes como caixas de velocidade a fábricas do grupo Renault noutros países.

A Companhia Aveirense de Componentes para a Indústria Automóvel (CACIA), designação daquela unidade do grupo Renault, tem actualmente cerca de 1.100 trabalhadores, abrangendo cerca de 700 a formação, sendo a segunda maior unidade do sector automóvel em Portugal, logo a seguir à Auto-Europa.
Redação / RPV