As Lojas Francas de Portugal (LFP) estimam cerca de 39 milhões de euros de vendas de tabaco este ano, cerca de 32 por cento da sua facturação total, revelou fonte oficial da empresa à Agência Financeira.

A confirmar-se, este montante representará um aumento de 11 por cento face ao valor do ano passado, que ficou nos 35 milhões de euros.

Estes números escondem o verdadeiro sintoma do sector em Portugal, que passa por um período de quebra há alguns anos. Os últimos valores datam do primeiro semestre de 2006 e denotam uma descida de 8,2% nas vendas, em parte provocada pelas medidas anti-tabaco do Governo, que se preparam para entrar em vigor no próximo dia 1 de Janeiro.

As LFP ficam assim indiferentes a esta «maré negra» uma vez que Portugal tem uma «boa média» no que diz respeito ao preço do tabaco na Europa a 27. Aqui está o factor de escolha dos passageiros nacionais e internacionais quando passam num aeroporto português.

Passageiros em trânsito para Europa têm maior peso

Se em Portugal um maço custa 3,15 euros, no Reino Unido vale 7,89 euros, em França 5 euros e em Itália 4 euros. O nosso baixo custo deste produto é ultrapassado por países como a Grécia (3 euros), República Checa (2,36 euros), mas também por Espanha (2,95 euros). O mais barato é vendido na Letónia a 1,17 euros. De acordo com dados do Eurostat, o tabaco em Portugal é 24% mais barato que a média europeia.

«A diferença está no valor monetário. Se é mais barato, as pessoas compram bastante», referiu a fonte oficial das LFP à AF.

«Duty free» não é principal factor

No entanto, a mesma fonte sublinha que os maiores consumidores estão em trânsito para destinos europeus, nomeadamente Inglaterra, percursos que não têm isenção de impostos, ou seja, os produtos são vendidos em regime «duty paid». Isto significa que, na hora de comprar, os passageiros estão sobretudo preocupados em conseguir pagar menos que nos países onde vivem ou para onde vão, independentemente de não pagarem impostos, como é regalia para quem viaja para fora do perímetro europeu («duty free»). «Dos 32% que o tabaco ocupa nas nossas vendas, 29% refere-se a duty paid e 3% a duty free», adiantou.

Discriminadamente, no aeroporto de Lisboa, o tabaco em «duty paid» representa 19% das vendas e o «duty free» 5%, do Porto 47% e 3%, respectivamente. Já em Faro foi contabilizado apenas «duty paid» (45%) e nos Açores, o primeiro, é de 19% e a segunda situação verifica-se em 1% das vendas.

Depois da Europa, são os passageiros em trânsito para o continente americano que mais compram tabaco.

Este é assim o segundo maior negócio das Lojas Francas que, em 2007, é de 32% do total de vendas, superado apenas pelo directório da perfumaria (37%).

De referir que as LFP operam no mercado do comércio a retalho nos aeroportos e a bordo de aviões. A nível nacional tem lojas em Lisboa, Porto, Faro, Ponta Delgada, Santa Maria e Horta. Fora de Portugal conta apenas com a exploração em parceria de 17 lojas em Luanda. A bordo, serve as companhias TAP, SATA Internacional e White Airlines.
Marta Dhanis