As pessoas devem encarar cada vez mais abrir o seu próprio negócio como solução para os problemas de emprego, defendem dois investigadores portugueses num livro sobre políticas públicas de empreendedorismo.

«A falta de compreensão acerca da importância do empreendedor tem retirado capacidade concorrencial aos países», disse à Agência Lusa, João Leitão, investigador no Instituto Superior Técnico, em Lisboa.

Juntamente com Rui Baptista, também docente e investigador no IST, reuniram artigos de especialistas europeus e americanos «sobre a necessidade de repensar as políticas públicas de empreendedorismo».

Quem despedir vai pagar por isso

O livro «Public Policies for Fostering Entrepreneurship: A European Perspective», da editora Springer tem por base «a análise de diversos casos de implementação de políticas de empreendedorismo e inovação, no espaço europeu».

«É necessário irrigar as instituições públicas com capital humano jovem

Um dos lançamentos está agendado para Chicago, por ocasião da Academy of Management, em Agosto, onde os autores irão apresentar também trabalhos de sua autoria, subordinados à temática de empreendedorismo.

Como ponto de partida, ambos consideram «necessário irrigar as instituições públicas com capital humano jovem e independente, dotado de uma orientação que contemple, simultaneamente, o empreendedorismo e a inovação».

Governo pode fazer mais

A partir daí, «deve haver um fomento da cultura de risco», com «mudanças profundas» a operar por intermédio de «políticas públicas que reabilitem condutas que comportem um risco elevado».

Para Leitão e Baptista não há outro remédio senão «os indivíduos passarem a considerar a opção de ser empreendedores como uma parte do problema de escolha ocupacional, que irão, permanentemente, enfrentar ao longo do seu trajecto de desenvolvimento pessoal e profissional».

No entanto, ambos mostram-se preocupados «pelo desinvestimento no sector da educação, porque sem qualificação não há empreendedorismo». Sugerem a criação de incentivos orientados para a dinamização da entrada de empresas nas instituições de ensino superior.
Redação / MD