Os partidos da oposição acusaram esta sexta-feira o Governo de mascarar os números do desemprego em ano de eleições e de falta de medidas para combater esta realidade.

A oposição reagia a uma notícia avançada pelo «Diário Económico» segundo a qual os centros de emprego estão a convocar os 11 mil desempregados que estão a um mês de ficar sem subsídio de desemprego, e que poderão ser colocados em formação, num programa de estágio ou celebrar um contrato de emprego-inserção.

O jornal avança ainda que há cerca de 285 mil desempregados que não recebem qualquer apoio, segundo dados do INE.

«Esta medida tem muito de eleitoralismo», considerou o deputado do PSD Hugo Velosa, citado pela agência Lusa.

«Há muito tempo, quando começámos a ver que este Governo não conseguia resolver o problema do desemprego, verificámos que uma das estratégias era limpar ao máximo as taxas, através de esquemas, nomeadamente esse da formação profissional», considerou o deputado do PSD Hugo Velosa.

Formação «por si só não chega»

Para o PSD, «formação profissional, sim», mas o problema do desemprego «tem de ser resolvido a montante, na actuação da economia».

Também o PCP referiu que a formação profissional é um factor «muito importante», mas que «por si só não chega».

«É preciso um conjunto articulado de medidas», defendeu o deputado comunista Jorge Machado, que destacou ainda a existência de 285 mil pessoas em situação de desemprego «sem qualquer tipo de apoio».

O PCP considera ainda «muito preocupante» o facto de o responsável da campanha do PS ser o ministro do Trabalho, Vieira da Silva, «que tem estado pelo país a multiplicar-se em várias iniciativas públicas», defendendo que «deveria haver uma clara separação».

Na opinião do CDS-PP, «os números não têm tanta validade como tinham no passado», disse o deputado Pedro Mota Soares, recordando que «para o INE, os desempregados em cursos de formação continuam a contar, para o Instituto de Emprego e Formação Profissional, não contam».

«Tudo funciona para tapar a realidade»

Sublinhando que todos os meses 11 mil pessoas vão ficar sem subsídio de desemprego, Pedro Mota Soares (CDS-PP) reiterou o alargamento do prazo do pagamento deste apoio e defendeu a sua majoração em situações em que ambos os elementos do casal estão sem trabalho.

«O Governo não está a conseguir preparar os portugueses para uma situação de um novo crescimento económico. Está apenas a ser reactivo em relação à crise», sustentou o deputado.

«Já não é a primeira vez que os números do desemprego não batem certo com a realidade», defendeu Francisco Louçã, para quem o envio de 11 mil desempregados para cursos de formação profissional, noticiada esta sexta-feira pelo «Diário Económico», «é uma forma de falsear» os dados e uma «medida eleitoralista».

O líder do Bloco de Esquerda acusou o Governo de «esconder os números com uma imaginação extraordinária».

«Tudo funciona para tapar a realidade», sustentou Louçã.
Redação / RPV