A FIGURA: Cristiano Ronaldo

Se na véspera Ronaldo pediu para trocarem o refrigerante por água, hoje em campo acabou por mostrar em cinco minutos que consigo os recordes «Nem água bebem».

Mal a bola começou a rolar, tornou-se o jogador com mais presenças em fases finais de campeonatos da Europa (cinco). Poderia ter continuado a fazer história caso marcasse, tornar-se-ia o jogador com mais golos em Europeus, deixando para trás Platini (9). Haveria essa marca de cair já aos 88m, após um penálti conquistado por Rafa, e já depois dos 90, numa jogada incrível coletiva. 11 golos em fases finais. Notável. O ruído entusiástico do público húngaro só cessou quando CR7 resolveu mostrar porque é que continua a ser um fenómeno do futebol mundial. Aí, a Aréna Puskás calou-se por fim para ouvir um sonoro: «SIIIIIII»

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O MOMENTO: minuto 84. Guerreiro descobre uma brecha no muro magiar

Momento de tensão e empate à vista. A Hungria acabara de ter um golo invalidado e o público húngaro acreditava na possibilidade até de vencer Portugal pela primeira vez na história. Foi aí que apareceu Rafa Silva a descobrir uma nesga de terreno e a encontrar Guerreiro, que rematou rasteiro e colocado para o poste mais distante. GOLO! O mais difícil estava feito. O resto haveria de ser com Cristiano Ronaldo.

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OUTROS DESTAQUES:

Rafa Silva

Entrou e decidiu. O extremo foi lançado para o lugar de Bernardo e veio mexer com o jogo. Depois de algumas perdas de bola, mostrou velocidade de execução e, por fim, descobriu o palmo de terreno que tanto faltava: assistiu Guerreiro para o golo, com a bola a desviar ainda num húngaro. De seguida, sofreu o penálti com que Ronaldo haveria de fazer o 2-0, e já nos descontos voltou a assistir Ronaldo após o impressionante tiki-taka luso. 

Guerreiro

Quando Portugal já carregava no fim, o lateral esquerdo surgiu numa posição pouco habitual para finalizar. O golo haveria de ser decisivo para encaminhar o triunfo luso. Mas lá atrás Guerreiro fez jus ao nome. E foi combativo sempre que os avançados húngaros tentaram levar o jogo para uma dimensão mais física.

Pepe

Sem serem prodígios técnicos, os avançados da Hungria revelam poderio físico (Szalai) e velocidade (Sallai). Tanto num aspeto como noutro, Pepe bate-se com a frescura de um jovem. Esta tarde, não cometeu praticamente qualquer erro. Ganhou os lances divididos, controlou os espaços, mostrou-se capaz de controlar os ataques à profundidade... Tudo isto com 38 anos. Impressionante.

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Gulacsi

O guarda-redes do Leipzig era o último reduto dos magiares. Uma espécie de salvador quando os 10 homens atrás da linha da bola falhavam na sua missão defensiva. Imparável a travar os remates de Jota e também um cabeceamento de Pepe, logo a abrir a segunda parte, acabou por fazer uma extraordinária defesa com a ponta dos dedos ao remate colocado de Bruno Fernandes aos 67m. Até sucumbir nos minutos finais.

Szalai

Era nele que a Hungria tentava esticar o jogo, lançado em profundidade o poderoso avançado. Teve duas oportunidades, embora controladas por Rui Patrício, e foi um verdadeiro capitão ao motivar o público nas bancadas.

Sérgio Pires / Aréna Puskás, em Budapeste