O vice-almirante Henrique Gouveia e Melo não exclui uma eventual candidatura à Presidência da República. Na tertúlia comemorativa dos 157 anos do Diário de Notícias, o anterior líder da task-force para a vacinação contra a covid-19 reiterou que “o futuro a Deus pertence”.

Têm-me aconselhado a dizer que dessa água não beberei, que é uma frase muito forte que não se deve dizer nunca. Tenho uma carreira militar que pretendo continuar. O futuro só a Deus pertence”, afirmou.

Gouveia e Melo reforça, no entanto, que “não é um ator político” e que tentou “despolitizar” o processo de vacinação.

“Queria dizer-vos o seguinte: tentei despolitizar o processo de vacinação enquanto coordenador da task-force e as declarações que fiz nesse contexto foi precisamente para evitar que se entrasse numa guerra política. Não sou o ator político. O que posso dizer sobre o futuro? É que ele ainda não está realizado e até lá muita coisa pode acontecer”, garantiu.

De igual modo sobre o futuro, mas do país, Gouveia e Melo defendeu a ideia de que o mar é “talvez o últimos" dos ativos estratégicos de Portugal, deixando um alerta.

Portugal tem um ativo estratégico muito importante que é o mar. É talvez o último dos seus ativos estratégicos, que terá uma grande importância geoeconómica e geopolítica muito grande. Temos de ter cuidado, senão podemos ser espoliados devagarinho desse último ativo estratégico. Gostaria de desenvolver e de ajudar a desenvolver políticas que contribuam para que esse ativo estratégico não nos seja retirado"

O vice-almirante abordou, também, o processo de vacinação das crianças dos 5 aos 11 anos, apontando uma crítica à forma como este tem sido comunicado.

“Às vezes a comunicação tem de ser mais hábil. Vamos imaginar por hipótese que nos miúdos abaixo dos 12 anos que foram internados, que foram bastantes, 250 com menos de 12 anos tiveram pericardite. Se as tivéssemos vacinado todas a percentagem calculada seria cinco crianças. Estamos a falar de uma diferença de 250 para cinco. Estas coisas têm de ser explicadas às pessoas com lógica e com números. Se assim for as pessoas perdem o receio e passam a ter confiança”, explicou Gouveia e Melo.

Pedro Falardo